Ex-coordenador de Ana Paula Mendes rompe silêncio e explica saída da campanha em Cabo Frio. Veja vídeo

Redação
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CABO FRIO — O ex-coordenador da campanha de Ana Paula Mendes afirmou que deixou a equipe em julho após divergências sobre a condução da candidatura e a estratégia para aplicação dos recursos eleitorais. Em um vídeo direcionado a Cabo Frio, ele disse que havia sido chamado em fevereiro para ajudar na organização da candidatura, mas decidiu abandonar o projeto por discordar do caminho adotado posteriormente.

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O ex-coordenador defendeu uma campanha concentrada nas ruas e no contato direto com os eleitores. Segundo ele, a proposta inicialmente estruturada previa uma atuação mais capilarizada nos bairros, enquanto a candidata teria optado por ampliar os investimentos em comunicação e redes sociais.

“Na minha percepção de política, política é o que se faz na calçada, não é o que se faz na rede social”, afirmou.

Durante o relato, ele fez críticas diretas a Ana Paula e disse que houve uma mudança na distribuição dos recursos previstos para a campanha.

“Discutiu a questão dos recursos que se tinha conseguido para a campanha e jogou numa questão de rede social, tirou as pessoas que estavam na rua”, declarou.

Outro trecho do vídeo levanta uma questão que pode gerar repercussão sobre a fase anterior ao período oficial de campanha.

Segundo o ex-coordenador, uma pessoa apresentada como especialista em prestação de contas entrou em contato com integrantes da equipe para perguntar se eles recebiam dinheiro para atuar na pré-campanha.

Ele próprio ressalta no vídeo que, naquele momento, a campanha eleitoral ainda não havia começado oficialmente.

Ao relatar a resposta de uma dessas pessoas, o ex-coordenador afirmou que existia uma espécie de ajuda de custo, que, segundo ele, era paga com recursos próprios.

“Uma delas, inclusive, disse que até tinha lá uma coisa, mas era uma coisa que eu fazia do meu próprio recurso, para ajudar o custo”, declarou.

Em seguida, acrescentou que outra pessoa teria informado que não recebia pagamento, embora também houvesse auxílio para despesas.

O relato, por si só, não permite afirmar que houve caixa 2 ou qualquer irregularidade eleitoral. No trecho apresentado, o próprio ex-coordenador afirma que parte da ajuda de custo teria saído de seu patrimônio pessoal.

Também não há, nas informações fornecidas, documentos que indiquem quanto foi pago, quem recebeu, quando os repasses ocorreram ou qual era exatamente a finalidade de cada pagamento.

Por isso, perguntas sobre eventual declaração dessas despesas à Justiça Eleitoral ou sobre a origem de outros recursos precisam ser confrontadas com a prestação de contas da candidatura e eventuais registros oficiais antes de qualquer conclusão.

O ex-coordenador afirmou que as divergências sobre a estratégia da campanha pesaram em sua decisão de sair.

“Eu estou fora. Em julho, eu saí fora, pulei fora do barco, não estou em campanha nenhuma”, disse.

Apesar das críticas, afirmou que torce pela eleição das duas candidatas da região mencionadas por ele, desde que, segundo suas palavras, pratiquem a “boa política”.

“Se fizerem a boa política, pode ajudar muito, mas a boa política é a política da calçada com caráter e com honestidade”, concluiu.

Até aqui, o material apresentado não traz uma manifestação de Ana Paula Mendes ou de sua campanha sobre as declarações do ex-coordenador. O contraponto é especialmente importante diante das críticas à candidata e das dúvidas levantadas sobre recursos utilizados durante a pré-campanha.

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