“Faraó dos Bitcoins”: depoimentos revelam bastidores de esquema bilionário e aumentam mistério sobre fortuna desaparecida que abalou a economia de Cabo Frio

Redação
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CABO FRIO — Cinco anos depois da prisão de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”, o tamanho do esquema que nasceu em Cabo Frio continua impressionando. A G.A.S. Consultoria e Tecnologia atraiu milhares de investidores com a promessa de rendimentos mensais de 10% em operações envolvendo criptomoedas.

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O impacto foi especialmente forte em Cabo Frio, cidade onde a empresa foi fundada e ganhou enorme projeção. Famílias colocaram economias e patrimônio no negócio, enquanto a circulação de dinheiro ligada à G.A.S. passou a fazer parte da realidade econômica local.

Segundo a Polícia Federal, a rede informal de investimentos movimentou mais de R$ 38,2 bilhões.

O colapso deixou uma dimensão igualmente impressionante. A relação preparada pelos administradores judiciais da massa falida da G.A.S. ultrapassa 77 mil pessoas físicas e empresas, enquanto a dívida chega a quase R$ 3 bilhões.

Há relatos de investidores que venderam bens e contraíram empréstimos para aplicar dinheiro. Uma das vítimas relatou ter vendido carro e moto, além de recorrer a empréstimos, investindo mais de R$ 500 mil.

O paradeiro de parte da fortuna permanece no centro do caso. Um dispositivo conhecido como cold wallet, utilizado para armazenar criptomoedas fora da internet, está sob custódia da Polícia Federal. Em depoimento, Glaidson confirmou que existe uma quantia elevada armazenada e chegou a afirmar que o valor seria suficiente para pagar os credores.

A investigação também aponta movimentações realizadas depois da prisão de Glaidson. Segundo o Ministério Público Federal, 4,5 mil bitcoins deixaram uma conta em agosto de 2021, quando Mirelis Zerpa estava nos Estados Unidos. Na cotação da época, o montante ultrapassava R$ 1 bilhão. A defesa nega que ela tenha se apropriado desse dinheiro e afirma que os ativos foram movimentados para realizar pagamentos aos clientes.

Nas alegações finais do processo, o MPF pediu a condenação de Glaidson, Mirelis e outras 15 pessoas acusadas de integrar o grupo. Glaidson nega ter cometido os crimes atribuídos a ele, enquanto sua defesa sustenta que as atividades da G.A.S. não configuravam crime contra o sistema financeiro.

Glaidson permanece preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, enquanto Mirelis está presa preventivamente no Rio de Janeiro.

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