BRASÍLIA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia indicar o governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, para o Supremo Tribunal Federal (STF), após o Senado rejeitar o nome de Jorge Messias para a Corte.
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Segundo informações da coluna de Catia Seabra, da Folha de S.Paulo, Couto já vinha sendo cogitado havia cerca de dois meses e voltou às discussões diante do novo confronto entre integrantes do governo e ministros do Supremo.
A eventual escolha é defendida por aliados como um gesto de pacificação institucional. Nesse cenário, Lula abriria mão temporariamente de insistir na indicação de Messias, atual ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU).
Apesar da derrota no Senado, aliados afirmam que Messias ainda poderia ser novamente apresentado para uma vaga no STF caso Lula seja reeleito.
Couto ganhou espaço durante intervenção no Rio
Embora não faça parte do círculo pessoal de Lula, Ricardo Couto ganhou projeção política desde que assumiu interinamente o governo do Rio.
O presidente já elogiou publicamente o trabalho do desembargador no estado. Durante um ato em Bangu, no mês passado, Lula chegou a afirmar que Couto estava promovendo uma “limpa” no Rio.
Aliados avaliam ainda que uma eventual indicação poderia produzir reflexos políticos no estado, o terceiro maior colégio eleitoral do país.
Caso Couto deixe o Palácio Guanabara para assumir uma cadeira no Supremo, a expectativa relatada é de que Eduardo Paes (PSD) dê continuidade às mudanças realizadas durante a gestão interina, incluindo uma revisão de contratos e exonerações.
Aliados também defendem saída de diretor-geral da PF
A disputa pela vaga no STF acontece paralelamente a uma crise envolvendo a Advocacia-Geral da União, a Polícia Federal e integrantes do Supremo.
Segundo a publicação, aliados de Lula passaram a defender também a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A relação teria se deteriorado após críticas ao posicionamento da AGU em processos relacionados às investigações envolvendo o Banco Master.
Integrantes da cúpula da PF avaliam que a Advocacia-Geral da União teria sido omissa em determinados atos relacionados à disputa entre a corporação e o ministro André Mendonça, do STF. A AGU, por outro lado, rejeita essa interpretação e argumenta que determinadas medidas não estavam dentro de suas atribuições.
Crise envolve Messias, Mendonça e Moraes
O conflito se intensificou depois que a Polícia Federal ingressou com uma reclamação contra a AGU no Supremo para tentar reduzir o controle exercido pelo ministro Dias Toffoli sobre investigações das quais era relator.
A situação também envolve o caso do Banco Master e os recentes atritos entre integrantes do governo e ministros da Corte.
A indicação de Messias já havia provocado uma crise no próprio STF. O ministro Gilmar Mendes chegou a procurar Lula para defender apoio à cúpula da Polícia Federal. Posteriormente, as divergências alcançaram outros integrantes da Corte.
De acordo com os relatos publicados, Lula tentou se manter distante da disputa, mas acabou conversando sobre o assunto com o presidente do STF, Edson Fachin, e com Gilmar Mendes.
Agora, diante da resistência ao nome de Messias e da escalada das tensões institucionais, Ricardo Couto surge como uma alternativa em avaliação pelo Palácio do Planalto. Até o momento, não há decisão anunciada oficialmente sobre uma nova indicação para a vaga no Supremo.
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