RIO DE JANEIRO — Documentos da Operação Sem Refino 2, da Polícia Federal, apontam que o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) teria sido beneficiado por uma estrutura de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial investigada por suposta ligação com o Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
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As informações aparecem em documentos que tiveram o sigilo retirado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação analisa despesas particulares, utilização de imóveis de alto padrão e possíveis vantagens econômicas relacionadas ao ex-governador.
Entre os episódios citados pela PF está uma compra de caviar no valor de R$ 10,5 mil. Segundo os investigadores, Castro teria participado da negociação da encomenda e solicitado que parte dos produtos fosse entregue no Hotel Emiliano.
Embora Castro tenha informado ao fornecedor que encaminharia o comprovante do pagamento por Pix, a análise bancária da PF teria identificado que a transferência partiu de uma empresa pertencente ao advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, conhecido como “Pipo”, apontado na investigação como operador financeiro do suposto esquema.
A defesa contesta essa versão. Segundo os advogados, a encomenda teria sido feita por um amigo e Castro apenas retirou os produtos para entregá-los, tendo consumido um deles com autorização do comprador. A defesa ressalta ainda que o episódio ocorreu mais de 30 dias depois de Castro deixar o Governo do Estado.
A investigação também se concentra em uma residência de luxo no condomínio Villa Locanda Residenze, em Petrópolis. O imóvel está registrado em nome da empresa Concrecasa Construções Inteligentes Ltda., mas a PF sustenta que Castro exercia a posse de fato da propriedade.
Entre os elementos analisados estão mensagens relacionadas a obras, segurança e contas de energia da residência. A PF também menciona um projeto de adega climatizada orçado em R$ 245 mil, cujo arquivo, segundo os investigadores, apresentava a identificação “AP Adega Claudio Castro”.
A investigação aponta ainda vínculos entre a administradora da empresa proprietária do imóvel e o empresário Luiz Fernando Gomes. Uma empresa ligada a ele teria firmado R$ 355,2 milhões em contratos com o Governo do Estado durante a gestão Castro, dos quais R$ 49,6 milhões sem licitação.
Outro ponto investigado é a cobertura onde Castro reside no Condomínio Atmosfera, na Barra da Tijuca. O contrato apresentado prevê aluguel mensal de R$ 10 mil.
A PF estima que imóveis semelhantes na região tenham aluguéis entre R$ 25 mil e R$ 29 mil mensais e apura se a diferença poderia representar uma vantagem econômica indevida. A hipótese ainda está sob investigação.
Segundo os documentos, a empresa proprietária da cobertura teria sido criada 50 dias antes da aquisição do imóvel, comprado por R$ 3,48 milhões, e teria a propriedade como único ativo registrado.
A PF também investiga a relação entre Castro e Ricardo Magro, controlador da Refit. Mensagens obtidas durante as investigações são analisadas para determinar se houve atuação de agentes públicos em assuntos de interesse da empresa.
A defesa de Cláudio Castro nega todas as irregularidades. Os advogados afirmam que os imóveis utilizados pelo ex-governador possuíam contratos regulares, negam recebimento de vantagens indevidas e sustentam que os contatos com representantes da Refit foram institucionais e não produziram benefícios para a empresa.
A defesa também solicitou que Castro seja ouvido pela Polícia Federal para apresentar documentos e esclarecimentos e reafirmou que o ex-governador “não praticou qualquer ato ilícito”.
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