
A quebra de sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) expôs mensagens e contatos entre o fundador do banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A decisão de tornar o relatório público partiu do ministro André Mendonça, nesta terça-feira (1º).
Mensagens que constam no relatório indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro era orientado por Moraes durante o auge da crise no Banco Master, no fim do ano passado. Em uma das mensagens, Vorcaro perguntou ao ministro se teria que deixar o país, dois dias antes de ser preso pela PF ao tentar embarcar em um jato particular. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, escreveu Vorcaro em mensagem recuperada pela Polícia Federal.
Ainda no relatório, há informações de que Vorcaro teria pedido ajuda a Moraes para intervir junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para interromper investigações sobre o banco Master.
André Mendonça, relator do caso no SFT, defendeu que as novas conversas contidas no relatório sejam analisadas pelo plenário da Corte. “O caminho inevitável dos presentes autos leva ao plenário deste Supremo Tribunal Federal, instância soberana para analisar, de modo técnico estritamente jurídico, os novos elementos trazidos pela autoridade policial”, afirmou o ministro.
A decisão de colocar a questão em pauta cabe ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, responsável regimentalmente pela organização da pauta, e com a deliberação, a Corte poderá analisar se Moraes pode ser investigado por causa das conversas divulgadas. No início deste ano, surgiram as primeiras mensagens que teriam sido trocadas entre Vorcaro e Moraes. O escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, mantinha contratos com o Banco Master.
Na ocasião, o ministro negou ter mantido conversas com o ex-banqueiro.
PGR deve se manifestar
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de cinco dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre o relatório da Polícia Federal (PF) que faz menções ao ministro Alexandre de Moraes e o próprio procurador-geral, Paulo Gonet.

As citações aos nomes de Moraes e Gonet foram captadas pela PF a partir da quebra de sigilo do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, alvo das investigações da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no Banco Master.
De acordo com a PF, Vorcaro teria conversado diretamente com um contato salvo em nome do ministro. Parte das supostas conversas foram apagadas porque o contato salvo em nome do ministro usava mensagens de atualização única e as escrevia no bloco de notas, mecanismo que impede a recuperação completa dos dados.
Em uma das mensagens que foram recuperadas, Vorcaro diz ao contato atribuído a Moraes que “estava tentando antecipar os investigadores”. A conversa teria ocorrido no dia 17 de novembro de 2025.
No caso de Paulo Gonet, o procurador-geral é citado por terceiros que trocaram mensagens com Vorcaro. Em uma das conversas, ocorrida em 2024, um interlocutor chamado Ciro Soares diz que “Gonet é firme”.
O relatório da PF também mostra citações ao nome do diretor-geral da corporação, Andrei Passos. Segundo os investigadores, o contato de Andrei não foi encontrado na lista de contatos de Vorcaro, mas ele foi citado em uma conversa entre o ex-banqueiro e o ex-deputado Fábio Faria, ocorrida em abril de 2024.
Faria pergunta a Vorcaro se ele aceitaria convidar Andrei para um evento em Londres. Em seguida, uma secretária ligada ao diretor-geral entrou em contato com a organização do evento para acertar as tratativas da viagem.
*Com informações de O Globo e Agência Brasil
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