Volta Redonda – Uma investigação iniciada a partir de ofensas raciais enviadas em um grupo de WhatsApp ligado à comunidade acadêmica de uma universidade federal com campus em Volta Redonda terminou com a denúncia e a prisão preventiva de um suspeito por uma série de crimes praticados no ambiente virtual. Entre as acusações estão injúria racial, racismo, incitação ao crime e divulgação e posse de conteúdo pornográfico envolvendo criança ou adolescente.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Volta Redonda. O nome do denunciado não será divulgado.
Segundo o Ministério Público, o investigado utilizava a internet para disseminar ataques racistas, manifestações de hostilidade contra mulheres e mensagens de incentivo à violência sexual. A apuração também encontrou conteúdo sexual envolvendo criança e imagens de crueldade contra animais.
Investigação começou com denúncia de racismo
O caso começou depois que uma vítima procurou as autoridades e relatou ter recebido mensagens com ofensas de cunho racial em um grupo de WhatsApp vinculado à comunidade acadêmica de uma universidade federal com campus em Volta Redonda.
A investigação avançou até a identificação do suspeito apontado como responsável pelas mensagens. A partir da quebra do sigilo telemático, os investigadores concluíram, segundo o MPRJ, que as ofensas que deram origem ao caso não seriam um episódio isolado.
Foram encontradas diversas manifestações de conteúdo racista e mensagens hostis contra mulheres. O material analisado também continha referências de incentivo à violência sexual.
Em uma das mensagens destacadas pelo Ministério Público, o denunciado teria afirmado que o estupro de determinada pessoa seria um “dever”.
Imagens de animais mortos e pornografia infantil
A investigação também localizou, segundo o MPRJ, conteúdo pornográfico envolvendo criança ou adolescente, o que levou à inclusão dos crimes relacionados à posse e divulgação desse tipo de material na denúncia.
Outro ponto considerado grave pelos investigadores foi a existência de registros de animais mortos e mutilados. Entre as imagens encontradas estaria uma na qual o próprio investigado aparece segurando a cabeça de um animal decapitado.
Diante da quantidade e da gravidade dos elementos reunidos durante a investigação, o Ministério Público pediu inicialmente a prisão temporária do suspeito e a expedição de mandados de busca e apreensão.
As medidas foram autorizadas pelo Juízo da 4ª Vara das Garantias e cumpridas em 31 de julho de 2026, por policiais civis de Santa Catarina, em cooperação com a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Posteriormente, o MPRJ obteve a prisão preventiva do denunciado.
Além da responsabilização criminal, a Promotoria requereu a condenação do acusado ao pagamento de indenização por danos morais individuais e coletivos equivalente a 100 salários mínimos.
O Ministério Público aproveitou o caso para alertar sobre o crescimento dos crimes praticados pela internet, entre eles racismo, fraudes e extorsões. Segundo o órgão, a falsa sensação de anonimato no ambiente digital não impede a identificação dos responsáveis.
A orientação é que vítimas de crimes virtuais procurem a polícia ou o próprio Ministério Público para registrar os fatos e permitir a abertura de investigação.
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