RIO DE JANEIRO — Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”, será levado a júri popular nesta quarta-feira (2) por acusações relacionadas a crimes contra a vida. O julgamento envolve, entre os casos atribuídos pela acusação ao grupo que estaria sob seu comando, o assassinato do trader Wesley Pessano, de 19 anos, morto a tiros em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos.
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O júri estava inicialmente previsto para acontecer em Cabo Frio, cidade onde Glaidson ganhou projeção com a GAS Consultoria, mas o processo foi posteriormente transferido para a capital.
Segundo o Ministério Público, Glaidson teria estruturado um grupo armado para atacar pessoas consideradas obstáculos aos negócios da organização. Caberá aos jurados decidir sobre a responsabilidade criminal dele pelos fatos submetidos a julgamento.
Além do assassinato de Wesley Pessano, as investigações relacionaram ao grupo outros ataques contra pessoas que atuavam no mercado de investimentos em criptomoedas.
Entre as acusações está a tentativa de homicídio de Nilson Alves da Silva, o Nilsinho, investidor que sobreviveu após ser alvo de disparos.
O julgamento desta quarta não trata diretamente das acusações relacionadas ao modelo financeiro da GAS Consultoria. Por se tratar de Tribunal do Júri, estarão em análise crimes dolosos contra a vida atribuídos ao réu. Glaidson poderá apresentar sua defesa e contestar as acusações durante o julgamento.
Preso desde 2021
Glaidson está preso desde agosto de 2021, quando foi alvo da Operação Kryptos, da Polícia Federal.
A investigação colocou no centro das atenções as operações da GAS, empresa que cresceu principalmente em Cabo Frio oferecendo contratos relacionados ao mercado de criptomoedas. Segundo os registros do caso, clientes chegaram a receber ofertas de rendimentos mensais próximos de 10%.
A dimensão alcançada pelo negócio foi posteriormente retratada pelos jornalistas Chico Otavio e Isabela Palmeira no livro “Queda Livre — A história de Glaidson e Mirelis, faraós dos bitcoins”. A obra aponta uma movimentação de aproximadamente R$ 38 bilhões entre 2015 e 2021, alcançando pelo menos 89 mil pessoas.
Condenado em outro processo
O júri ocorre após Glaidson já ter recebido uma condenação em outro processo.
Em outubro de 2025, a Justiça do Rio condenou o empresário a 19 anos e dois meses de prisão pelos crimes de organização criminosa e corrupção ativa.
Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), a organização ligada à GAS atuava na Região dos Lagos e teria cometido crimes contra possíveis concorrentes, além de ameaças e corrupção.
A acusação apontou ainda a oferta de vantagens indevidas a policiais civis para a realização de diligências contra concorrentes da empresa. Essa condenação é independente das acusações que serão analisadas pelo júri nesta quarta-feira.
História pode chegar aos cinemas
A trajetória de Glaidson e de Mirelis Yoseline Diaz Zerpa também pode ganhar uma versão cinematográfica.
Os direitos de adaptação de “Queda Livre” foram adquiridos pela Morena Filmes, com projeto para transformar a história narrada no livro em um longa-metragem.
Quando a adaptação foi anunciada, em 2024, havia previsão de início das filmagens no primeiro semestre de 2025. Até o momento, porém, não há anúncio público recente confirmando elenco, lançamento ou o estágio atual da produção.
Antes de chegar às telas, a história terá nesta quarta-feira um novo capítulo nos tribunais. Sete jurados serão responsáveis por analisar as acusações submetidas ao Tribunal do Júri e decidir sobre a responsabilidade criminal de Glaidson.
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