Foto: Cris Oliveira – Secom/PMVR.
Volta Redonda – A experiência de Volta Redonda na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer do colo do útero será compartilhada com profissionais de saúde de Angola. Quatro enfermeiras do Instituto Angolano de Controle do Câncer (IACC) passarão por um treinamento de três meses na rede pública do município para conhecer o programa Prevenir, coordenado pela Linha de Atenção Oncológica (LAO), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Volta Redonda e o IACC. O objetivo é capacitar as profissionais para que possam levar a experiência brasileira para Angola e contribuir para a implantação de um programa de rastreamento organizado do câncer do colo do útero no país africano, respeitando as características e necessidades da realidade local.
O acordo de cooperação foi firmado no gabinete do prefeito Antonio Francisco Neto, com a presença do presidente do IACC, o médico e especialista em oncologia Fernando Miguel, e da diretora-administrativa da instituição, Edna Viegas. Também participaram a secretária municipal de Saúde, Márcia Cury; a coordenadora do Núcleo de Prevenção e Atenção Oncológica, a médica-oncologista Luciana Francisco Netto; a coordenadora da Média Complexidade da SMS, Elisangela Bonifácio Lyra; o coordenador da Atenção Primária à Saúde, Hálison Vitorino; a enfermeira Nathália Beatriz de Almeida, que também integra a coordenação do Prevenir; o coordenador-médico da Divisão de Atenção Básica, Vinícius Siqueira; outros profissionais da Secretaria Municipal de Saúde; além da médica-sanitarista Liz de Almeida, que participou de forma remota e é considerada a “madrinha” do Prevenir pelo apoio ao programa.
O treinamento deve começar ainda em setembro e terá duração de três meses. As enfermeiras serão inseridas no programa de residência de médicos de família, na Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) do bairro Volta Grande.
“Queremos que elas aprendam a fazer a coleta do preventivo e a interpretar os exames. As enfermeiras vão conhecer o trabalho de navegação do paciente feito pela Linha de Atenção Oncológica, que atua para agilizar o diagnóstico precoce do câncer e o encaminhamento de pacientes com suspeita da doença na rede pública municipal, para diminuir o tempo de espera entre a suspeita clínica na Atenção Básica e o início do tratamento adequado”, explicou Luciana Netto.
A médica reforçou que a proposta é que as profissionais levem a experiência para Angola e implantem um modelo de rastreamento organizado do câncer do colo do útero, adaptado à realidade do país. Durante a capacitação, elas também conhecerão o Hospital da Fundação Oswaldo Aranha (H.FOA), responsável pela Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) de Volta Redonda.
O prefeito Antonio Francisco Neto destacou a importância da troca de experiências entre os dois países.
“Esperamos poder contribuir para que o nosso programa de rastreio do câncer possa salvar vidas em Angola, assim como está acontecendo aqui na nossa cidade com a LAO, que já atendeu cerca de 3 mil pessoas, identificando 378 lesões malignas com quase 100% de cura e outras 305 pré-malignas, que graças ao diagnóstico precoce não vão virar câncer. Isso prova que estamos no caminho certo e vamos apoiar quem quiser aprender conosco para salvar mais vidas”, afirmou.
A secretária municipal de Saúde, Márcia Cury, ressaltou que os resultados do programa reforçam a importância da Atenção Primária à Saúde.
“A prevenção é o melhor caminho no combate às doenças”, afirmou.
Foto: Cris Oliveira – Secom/PMVR.
Troca de experiências começou em 2025
A aproximação entre a equipe da LAO de Volta Redonda e o Instituto Angolano de Controle do Câncer começou em outubro de 2025, quando Luciana Netto esteve em Luanda, capital de Angola, acompanhada da médica Liz Almeida, que havia sido convidada pelo presidente do instituto.
Durante a visita, elas apresentaram os resultados alcançados pelo programa Prevenir em Volta Redonda, que despertou o interesse do IACC para a implantação de uma iniciativa semelhante em Angola.
Em janeiro deste ano, uma comitiva do Instituto Angolano de Controle do Câncer esteve em Volta Redonda para conhecer o trabalho desenvolvido pelo município.
“O retorno que recebemos dos profissionais que estiveram aqui em janeiro passado e o que vimos nestes dois dias em Volta Redonda nos fez querer ampliar a parceria com o município. O programa Prevenir de rastreio do câncer do colo do útero é a nossa ‘menina dos olhos’, mas também queremos absorver a experiência de vocês em outras áreas da saúde”, afirmou o presidente do instituto, Fernando Miguel.
Foto: Cris Oliveira – Secom/PMVR.
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