RIO DE JANEIRO (RJ) — Uma força integrada entre órgãos municipais e estaduais foi criada para combater o furto e a receptação de cabos na capital fluminense. O decreto que institui o novo núcleo foi publicado no Diário Oficial nesta terça-feira (1º), diante dos prejuízos milionários provocados por esse tipo de crime.
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Uma das primeiras ações foi a desapropriação de dois estabelecimentos no bairro do Sampaio, na Zona Norte do Rio. Segundo a prefeitura, os locais funcionariam como pontos de receptação de materiais furtados.
A estratégia também prevê fiscalização de estabelecimentos que compram, armazenam ou comercializam cabos e outros materiais de origem suspeita. Novas desapropriações poderão ocorrer em casos específicos.
O Núcleo Integrado de Combate a Furtos e Receptação de Cabos ficará sob coordenação da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) e contará com a participação de órgãos como Guarda Municipal, Força Municipal, Rioluz e CET-Rio.
Cabos serão substituídos
Outra frente do plano é reduzir o interesse econômico dos criminosos pelos materiais furtados. Para isso, a cidade começou a substituir componentes convencionais por outros com baixo ou nenhum valor comercial para revenda.
Entre eles estão os chamados “cabos laranja”, que possuem uma quantidade reduzida de cobre. A coloração diferenciada também permitirá identificar o material com maior facilidade.

Além da substituição dos cabos, o plano inclui caixas sem valor de revenda, garras antifurto, concretagem e soldagem de caixas de passagem.
Zona Norte concentra primeira etapa
A primeira fase será concentrada na Zona Norte do Rio, especialmente nas regiões do Grande Méier e da Grande Tijuca, que, segundo dados apresentados pelo município, concentram 25% dos furtos de materiais semafóricos registrados na cidade em 2026.
As intervenções vão atingir vias como a Avenida Marechal Rondon, a Rua 24 de Maio e o Boulevard 28 de Setembro.
O investimento previsto para essa etapa é de R$ 1,95 milhão. Todos os semáforos do Boulevard 28 de Setembro deverão receber equipamentos com os novos materiais.

Prejuízo passa de R$ 69 milhões
Somente os furtos envolvendo cabos e equipamentos da rede semafórica provocaram um prejuízo de R$ 2,8 milhões no primeiro semestre de 2026. Desde 2021, as perdas nesse segmento chegam a R$ 26,6 milhões.
Os números são ainda maiores quando considerada a rede de iluminação pública.
Entre 2021 e 2026, a Rioluz registrou quase 95 mil ocorrências e mais de 1,8 mil quilômetros de cabos furtados. O prejuízo envolvendo cabos, luminárias e postes chegou a aproximadamente R$ 42 milhões.
Somados aos danos registrados na rede semafórica, os prejuízos acumulados na cidade ultrapassam R$ 69 milhões.
A nova força também deverá promover o compartilhamento de informações entre os órgãos envolvidos para identificar pontos recorrentes de furto, estabelecimentos suspeitos de receptação e estratégias para interromper a cadeia de comercialização dos materiais roubados.
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