Emanoel Pereira foi condenado a 28 anos e 9 meses de prisão pela morte da médica Glaubênia Serpa Costa, em Rio das Ostras, na Região dos Lagos do Rio. O julgamento terminou nesta sexta-feira (28), após mais de 15 horas de sessão. Além do homicídio e da ocultação do cadáver, o réu também recebeu condenação por maus-tratos aos animais da vítima.
Glaubênia foi assassinada em julho de 2023, e o corpo permaneceu escondido no quintal da própria residência até o crime ser descoberto, em março de 2024. Segundo as investigações, Emanoel era considerado pela médica como um irmão e teria se aproveitado da relação de confiança entre os dois.

Durante o julgamento, os jurados entenderam que o assassinato foi cometido por motivo torpe, relacionado ao interesse do acusado em obter bens e valores pertencentes à médica. O Conselho de Sentença também reconheceu que a vítima não teve possibilidade de se defender da agressão.
De acordo com a investigação, após matar Glaubênia, Emanoel escondeu o corpo no terreno da residência dela. O acusado teria mantido a rotina nas redes sociais durante aproximadamente oito meses, fazendo publicações e se passando pela médica para evitar que o desaparecimento levantasse suspeitas.
Ainda segundo a apuração policial, o réu também teria movimentado contas bancárias e bens pessoais da vítima durante o período em que o corpo permanecia oculto. A investigação aponta ainda que ele chegou a emitir atestados médicos utilizando o nome de Glaubênia.
A ausência da médica só foi comunicada oficialmente às autoridades em março de 2024. A partir da informação sobre o desaparecimento, a Polícia Civil iniciou uma investigação mais aprofundada, que levou à localização do corpo enterrado no quintal da residência em Rio das Ostras.
Na ocasião em que os policiais estiveram no imóvel, os animais de estimação da médica também foram encontrados em condições consideradas insalubres. Conforme as informações apresentadas no processo, eles estavam sem alimentação, água adequada e cuidados de higiene. Por esse motivo, Emanoel também respondeu por maus-tratos a animais e foi condenado pelo crime.
A promotora de Justiça Simone Sibílio destacou que a condenação levou em consideração não apenas o assassinato, mas também as ações realizadas posteriormente para ocultar o crime e manter o acesso aos bens e à confiança que a vítima havia depositado no acusado.
“O homicídio foi seguido por uma sequência de condutas voltadas a esconder o crime e permitir que o réu continuasse se beneficiando da confiança que Glaubênia havia depositado nele”, afirmou a promotora. Segundo ela, o Conselho de Sentença reconheceu a sequência de atos praticados depois da morte da médica e responsabilizou o réu pelas condutas.
