MUNDO – Inundações e deslizamentos de grande proporção atingiram nesta quarta-feira (26) áreas do Nepal e do Tibete, deixando ao menos 160 pessoas mortas e quase 500 desaparecidas, segundo balanços divulgados por autoridades locais. Vilarejos inteiros foram cobertos por lama, casas foram destruídas, estradas ficaram bloqueadas e pontes foram levadas pela força da água.
✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias nacional do Rlagos Notícias no WhatsApp
A dimensão exata da tragédia ainda está sendo calculada, assim como a causa do desastre. Entre as hipóteses analisadas estão um terremoto de magnitude 4,4, registrado pouco antes de uma avalanche na região, e o desprendimento de uma grande massa de gelo de uma geleira, possibilidade associada ao avanço da crise climática.
No lado nepalês, a polícia informou 157 mortes. Já no lado chinês da fronteira, ao menos três pessoas morreram após um deslizamento atingir o porto de Gyirong, no Tibete.
O número de desaparecidos também varia conforme as atualizações das autoridades. A televisão estatal chinesa CCTV informou inicialmente que 265 pessoas estavam desaparecidas após um dos deslizamentos. Já o gabinete do primeiro-ministro do Nepal apontou 484 desaparecidos, dos quais 341 estrangeiros.
Entre os estrangeiros estão 105 indianos, 12 britânicos e três americanos, além de cidadãos da Austrália, Holanda, Malásia e África do Sul. Até a última atualização, não havia confirmação de brasileiros entre as vítimas, segundo o Itamaraty.
A área atingida faz parte de uma rota bastante utilizada por peregrinos e turistas que seguem em direção a Kailash Manasarovar, no Tibete, destino religioso visitado principalmente por hindus e estrangeiros nesta época do ano.
O governo do Nepal mobilizou equipes da polícia e do Exército para as buscas e pediu apoio à China e à Índia.
No distrito montanhoso de Rasuwagadhi, no norte do país, o transbordamento do rio Bhote Koshi dificultou o acesso das equipes de resgate. Segundo o Exército, helicópteros não conseguiram pousar nas regiões mais afetadas de Syapru Besi e Timure por causa do nível elevado da água.
Imagens divulgadas pela imprensa local mostram casas parcialmente destruídas, veículos sendo arrastados e uma ponte metálica levada pela correnteza.
Testemunhas relataram que a água avançou de forma rápida sobre povoados inteiros.
“Há devastação para onde quer que a gente olhe”, afirmou Tula Bahadur BK, agente de saúde em Rasuwagadhi.
Moradores que vivem próximos às margens do Bhote Koshi foram orientados a deixar as áreas mais baixas e procurar terrenos elevados diante do risco de novos alagamentos.
As autoridades também alertam para a possibilidade de uma nova onda de inundação.
Um bloqueio permanece em um trecho de um afluente do Bhote Koshi, represando parte da água e aumentando o risco de rompimento ou transbordamento repentino.
O volume de água e lama que desceu das montanhas também levou à emissão de alertas nos estados indianos de Bihar e Uttar Pradesh, que recebem rios originados no Himalaia.
No Tibete, um deslizamento atingiu o porto de Gyirong, na fronteira com o Nepal. Imagens de câmeras de segurança registraram pessoas correndo segundos antes de a massa de terra atingir o local.
O acidente soterrou veículos, destruiu parte da estrutura e interrompeu o fornecimento de energia na região.
O porto está localizado às margens do rio Kyirong Tsangpo, em uma área de desfiladeiro do Himalaia, a cerca de 1.850 metros de altitude.
O Centro Alemão de Pesquisa em Geociências registrou um terremoto de magnitude 4,4 cerca de sete minutos antes do horário indicado nas imagens do deslizamento.
Apesar da proximidade entre os dois acontecimentos, ainda não há confirmação de que o tremor tenha provocado a avalanche.
Uma análise preliminar de imagens de satélite da Planet Labs também indicou que uma massa de neve e rochas atingiu o rio Bhote Koshi a cerca de 20 quilômetros da passagem de fronteira de Rasuwagadhi.
Outra hipótese analisada é a de que um grande bloco de gelo tenha se desprendido de uma geleira e provocado uma avalanche seguida por inundação.
Especialistas consideram que eventos desse tipo podem ser agravados pelo aumento das temperaturas e pelo derretimento acelerado de geleiras no Himalaia, fenômenos associados às mudanças climáticas.
Até o momento, porém, as autoridades ainda não estabeleceram uma causa definitiva para o desastre.
O presidente da China, Xi Jinping, determinou esforços máximos para localizar desaparecidos e reforçar os sistemas de monitoramento e alerta na região.
As autoridades chinesas também afirmam temer um número elevado de vítimas no lado tibetano da fronteira, onde parte das buscas continua dificultada por bloqueios de estradas e danos à infraestrutura.
A região atingida fica em uma área de relevo extremamente montanhoso e sujeita a deslizamentos, avalanches e enchentes repentinas, principalmente durante períodos de chuva intensa e degelo.
As operações de resgate continuam, e o número de mortos e desaparecidos ainda pode aumentar à medida que as equipes consigam acessar áreas isoladas.
📲 Confira as últimas notícias do Rlagos Notícias
📲 Acompanhe o Rlagos no Facebook, Instagram, Twitter e Thread
