EXCLUSIVO: Neta de Paulo Melo rompe o silêncio e relata ao RLagos abusos que afirma ter sofrido na infância pelo ex-deputado

Redação
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SAQUAREMA — Pela primeira vez, Maria Clara Almeida, de 22 anos, decidiu falar detalhadamente a um portal de notícias sobre as acusações que envolvem o avô, Paulo Melo, ex-deputado estadual, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e atual candidato a deputado estadual. Maria Clara escolheu o RLagos Notícias para contar, com exclusividade, o que afirma ter vivido, os impactos que carrega até hoje e a batalha judicial que diz enfrentar em busca de justiça.

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Durante a entrevista, a jovem falou não apenas sobre o processo, mas sobre uma vida que, segundo ela, foi profundamente afetada pelos acontecimentos de sua infância.

Ao ser perguntada sobre quem é Maria Clara para além das acusações e da exposição pública, ela admitiu que ainda tenta descobrir a própria identidade.

Eu tive a minha vida roubada durante muitos anos, então eu demorei muito para me encontrar, para saber quem eu sou”, afirmou.

Hoje, aos 22 anos, Maria Clara conta que começou a descobrir seus próprios gostos e interesses. Disse gostar de ler, ouvir música e estudar, mas afirmou que sua principal busca é aprender a viver sem permitir que tudo aquilo que aconteceu no passado defina quem ela é.

O que me move hoje em dia é construir a minha vida, construir os meus gostos, tentar ser feliz da melhor maneira possível e viver”, declarou.

Maria Clara conta que evitou durante meses conceder entrevistas. Mesmo depois de expor parte de sua história nas próprias redes sociais, ela afirma que recusou diversos contatos da imprensa porque não queria transformar um episódio tão íntimo em assunto público.

Segundo ela, a decisão de falar agora nasceu principalmente da revolta com o andamento do processo.

O fato é que nada acontece. O meu processo está paralisado, eu não tenho notícias, as coisas não acontecem”, afirmou.

A jovem diz que inicialmente acreditava que poderia aguardar silenciosamente uma resposta das instituições. Com o passar do tempo, porém, passou a considerar necessário contar publicamente aquilo que afirma ter vivido.

Eu decidi falar porque, para mim, é revoltante que eu tenha passado tudo que passei e ninguém vá pagar por isso”, disse.

A entrevista também revelou o impacto que a exposição do caso provocou na rotina da jovem.

Maria Clara afirma que, depois de tornar as acusações públicas, passou a enfrentar xingamentos, questionamentos e ameaças nas ruas e nas redes sociais.

Segundo ela, houve momentos em que desconhecidos a abordaram para chamá-la de mentirosa ou questionar por que havia apresentado a denúncia. Em um dos episódios mais graves relatados durante a entrevista, Maria Clara afirma ter ouvido de uma pessoa que deveria ser morta.

Por causa da pressão, ela conta que decidiu apagar suas redes sociais e reduzir ao máximo as saídas de casa.

Chegou num ponto absurdo”, resumiu.

Maria Clara também falou sobre o impacto emocional de ver Paulo Melo novamente candidato a deputado estadual enquanto o processo relacionado às acusações que apresentou ainda tramita.

Para ela, a situação representa uma das maiores frustrações desde que decidiu denunciar.

É muito difícil pensar que neste momento ele é candidato a deputado estadual”, disse.

Maria Clara afirmou ainda considerar uma falha do sistema o fato de não enxergar avanço no processo enquanto o político continua exercendo normalmente suas atividades públicas e eleitorais.

A existência da investigação ou do processo, entretanto, não representa condenação de Paulo Melo, e as declarações de Maria Clara apresentadas na entrevista correspondem à versão dela sobre os fatos. A eventual responsabilidade criminal somente pode ser definida pela Justiça após a tramitação do caso, garantindo o direito de defesa ao acusado.

Outro momento delicado da entrevista envolveu a própria família.

Maria Clara contou que, quando tornou as acusações públicas, parentes se posicionaram contra ela e chegaram a contestar sua versão. Segundo a jovem, essa reação já era esperada devido à relação mantida por integrantes da família com Paulo Melo, mas ainda assim provocou sofrimento.

Virar as costas e vir a público falar coisas que não condizem com quem eu sou me machucou muito”, afirmou.

Hoje, ela diz encontrar apoio principalmente na avó e no marido dela, que, segundo Maria Clara, têm sido fundamentais durante o período de exposição e disputa judicial.

A jovem também afirmou ter conseguido recentemente uma medida protetiva/restritiva, enquanto continua acompanhando o processo.

Mesmo diante da pressão, Maria Clara afirma que não pretende voltar ao silêncio.

A escolha de falar ao RLagos, segundo ela, representa uma tentativa de fazer com que sua versão seja conhecida diretamente, sem intermediários e sem depender das diferentes narrativas que passaram a circular desde que o caso veio a público.

Aos 22 anos, ela diz que ainda está reconstruindo sua própria história.

Mais do que falar sobre Paulo Melo, Maria Clara afirma que decidiu conceder a entrevista para tentar recuperar algo que considera ter perdido durante muitos anos: o direito de contar quem é com a própria voz.

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