PETRÓPOLIS — Novos relatos de sobreviventes ajudam a reconstruir os momentos que antecederam o grave acidente com o ônibus da Estrela Guia Turismo, que deixou 10 pessoas mortas e dezenas de feridos na madrugada deste domingo (16), na BR-040, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio.
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Uma administradora mineira de 25 anos, que estava no coletivo, afirmou que o motorista trafegava em alta velocidade desde o início da viagem e que passageiros chegaram a pedir para que ele reduzisse a velocidade.
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Segundo a sobrevivente, o grupo havia saído da região metropolitana de Belo Horizonte, com destino a Copacabana, na Zona Sul do Rio, para um passeio de bate e volta. Cada passageiro teria pago cerca de R$ 170.
A mulher relatou ainda que alguns cintos de segurança não funcionavam. De acordo com ela, durante uma parada em Juiz de Fora, passageiros reclamaram da condução e pediram para que o motorista não corresse.
Segundo a passageira, o motorista teria respondido que pretendia chegar a Copacabana por volta das 4h30.
Na descida da Serra de Petrópolis, o cenário teria se tornado ainda mais preocupante. A sobrevivente contou que acordou com passageiros gritando e percebeu o ônibus balançando antes do tombamento.
“Eu abracei meu noivo e disse que iríamos morrer”, relatou.

Ela e o noivo sobreviveram e conseguiram deixar o veículo por uma saída de emergência. Os dois receberam atendimento médico após o acidente.
Outro relato reforça a suspeita de excesso de velocidade. O caminhoneiro Luis Silva, que passava pelo trecho pouco antes do acidente, afirmou que o ônibus ultrapassou seu caminhão em alta velocidade.
“O ônibus saiu da Praça da Cemig, pegou passageiros na Avenida Afonso Pena, no Centro de BH, e por fim no Shopping Estação, em Venda Nova, na Zona Norte. Desde o início vimos alguns problemas: como muitos dos cintos que não funcionavam. O motorista saiu correndo muito e, quando pegou a estrada, continuou em alta velocidade. Em Juiz de Fora, durante uma parada, o pessoal pediu para ele não correr tanto. Ele respondeu que queria chegar em Copacabana às 4h30”, afirmou.
Segundo a mulher, o desespero tomou conta dos passageiros já na descida da serra.
“Quando chegamos em Petrópolis, as pessoas começaram a gritar. Eu estava dormindo, abracei meu noivo e disse que iríamos morrer. O ônibus começou a balançar muito. Na descida, ele capotou, bateu em uma árvore e ela entrou dentro do ônibus”, contou.
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Ela sofreu ferimentos na cabeça, no ombro e nas pernas. O noivo teve lesões em um dos joelhos e fraturou uma costela. Após o acidente, os dois conseguiram deixar o veículo por uma saída de emergência.
“Eu, o meu noivo e outras pessoas saímos por uma saída de emergência. Quando chegamos do lado de fora vimos uma situação horrível. Tinha muita gente morta, crianças, pessoas em estado de choque. Foi uma cena terrível”, disse.
A vítima conta que ela e o noivo haviam sido transferidos de outro ônibus para o veículo que se envolveu no acidente. “A gente ia em outro ônibus e foi colocado nesse. Na minha opinião, houve imprudência do motorista”, declarou.
Apesar do trauma, ela disse ser grata por ter sobrevivido. “Agradecemos pela vida, mas lamentamos muito pelas pessoas que perderam a vida. É algo sem explicação.”
Liberada após atendimento médico, a administradora afirmou que retornará para Minas Gerais ainda neste domingo. “Estou com muita dor no corpo. Não tive fraturas, mas fiquei com um grande hematoma na cabeça. Agora vamos voltar para casa juntos.”
Os feridos foram levados para o Hospital Santa Teresa e para a UPA de Petrópolis, em Petrópolis, e para o Hospital Minicipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias.
Segundo ele, o coletivo chegou a passar sobre cones em um trecho onde o trânsito estava sendo desviado devido a obras na rodovia.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o ônibus realizava a viagem de forma clandestina, sem a autorização necessária para aquele tipo de transporte interestadual.
A informação amplia a investigação sobre as circunstâncias da tragédia. Além de apurar a dinâmica do acidente, as autoridades deverão analisar a situação da empresa, as condições do veículo e a forma como a viagem foi organizada.
A Polícia Civil, por meio da 105ª DP (Petrópolis), investiga o caso. A perícia realizada no ônibus e no trecho da BR-040 deverá ajudar a esclarecer se houve falha mecânica, excesso de velocidade, problemas de manutenção ou outros fatores relacionados ao tombamento.
O motorista sobreviveu e também deverá ser ouvido durante a investigação.
O advogado que representa a Estrela Guia Turismo informou que não comentará o caso neste momento e que eventuais manifestações serão apresentadas no processo.
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