Rio tem cerca de 70 voos panorâmicos de helicóptero por dia e fiscalização preocupa após acidentes

Redação
7 Leitura mínima

RIO DE JANEIRO (RJ) — O mercado de voos panorâmicos de helicóptero no Rio de Janeiro cresceu nos últimos anos e hoje realiza cerca de 68 a 70 passeios por dia, levando centenas de turistas para sobrevoar pontos como o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e as praias da cidade.

✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias nacional do Rlagos Notícias no WhatsApp

A atividade, no entanto, passou a receber atenção ainda maior depois da sequência de acidentes registrada em 2026. Segundo levantamentos divulgados nesta semana, parte das aeronaves que operam a partir do Aeroporto de Jacarepaguá já foi flagrada abaixo da altitude mínima estabelecida para determinados trechos.

Os dados também mostram que a frota de helicópteros no estado passou de 247 aeronaves em 2023 para 319 em 2026, um crescimento de 29%.

Voos são autocoordenados

Diferentemente de aeronaves que operam em altitudes maiores sob acompanhamento mais contínuo do controle de tráfego, parte da circulação dos helicópteros em voos panorâmicos ocorre de forma autocoordenada.

Na prática, os próprios pilotos informam posições e intenções uns aos outros por rádio para organizar o tráfego e evitar conflitos entre aeronaves.

Especialistas ouvidos nas apurações destacam que esse modelo não significa ausência total de regras, mas pode se tornar mais complexo diante do aumento da quantidade de helicópteros circulando simultaneamente.

O relevo montanhoso da cidade também dificulta o acompanhamento contínuo das aeronaves em alguns pontos.

Levantamento aponta voos abaixo da altitude mínima

Dados da Aeronáutica obtidos pelo MPF durante uma investigação sobre a atividade mostram registros de aeronaves operando abaixo dos 500 pés, aproximadamente 150 metros, estabelecidos como altitude mínima em trechos próximos às avenidas das Américas e Embaixador Abelardo Bueno, na Barra da Tijuca.

Um dos levantamentos, referente ao período entre outubro de 2025 e abril de 2026, apontou que cerca de 28% das aeronaves analisadas passaram abaixo dessa altitude. Os helicópteros corresponderam a aproximadamente 65% dos registros de descumprimento.

Outro recorte, entre março e o início de abril deste ano, contabilizou 3.559 pousos, dos quais pelo menos 1.228, ou 34,5%, teriam ocorrido abaixo da altura prevista no trecho analisado.

Os números não se referem exclusivamente a voos turísticos, já que Jacarepaguá também recebe operações de helicópteros destinados, por exemplo, ao transporte de trabalhadores para plataformas de petróleo.

Mais de 30 mil voos panorâmicos

Segundo a Associação dos Operadores Turísticos de Helicópteros do Rio de Janeiro (Aotherj), foram realizados 31.759 voos panorâmicos na cidade entre outubro de 2024 e dezembro de 2025.

Em outro levantamento citado pelo MPF, o setor realizou aproximadamente 25 mil voos em 2025, média equivalente a cerca de 68 operações por dia.

Os passeios podem custar aproximadamente R$ 640 por pessoa, em voos mais curtos, e ultrapassar R$ 3,7 mil em trajetos de uma hora.

Acordo já estabelece regras para os passeios

Entre 2024 e 2025, o Ministério Público Federal firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com 14 empresas que realizam voos panorâmicos na capital.

O acordo estabelece parâmetros relacionados à altitude, ao ruído e à aproximação de pontos turísticos. Entre as regras está a proibição de manobras estacionárias próximas ao Cristo Redentor e a exigência de distância mínima de 600 metros da estátua, além de altitude mínima determinada para o sobrevoo da região.

Apesar do acordo, o MPF avalia que as medidas não foram suficientes para controlar completamente os impactos do crescimento do setor.

O procurador da República Sérgio Suiama afirmou que o órgão estuda recorrer à Justiça para buscar uma atuação coordenada entre instituições como Anac, Aeronáutica, Prefeitura e órgãos ambientais.

Quatro acidentes e 13 mortes em 2026

A discussão sobre segurança ganhou força após uma sequência de acidentes envolvendo helicópteros no Rio.

Somente em 2026, foram registrados quatro acidentes, que deixaram 13 mortos.

Em junho, dois helicópteros colidiram no ar e caíram no Recreio dos Bandeirantes, deixando seis mortos.

No último sábado (8), um Robinson R44, da empresa Voos Rio Panorâmicos, caiu em uma área de mata da Floresta da Tijuca, próximo à Vista Chinesa. O piloto e três turistas colombianas morreram.

Quatro morrem em queda de helicóptero perto da Vista Chinesa, na Zona Sul do Rio – Na foto, corpos das vítimas são retirados da mata. — Foto: Ana Branco / Agência O Globo

A aeronave havia decolado do Aeroporto de Jacarepaguá para um passeio turístico em direção ao Cristo Redentor. Segundo a Anac, o helicóptero estava com a documentação regular e autorizado para realizar voos panorâmicos.

As causas do acidente ainda são investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Como verificar a regularidade de um voo

Antes de contratar um passeio panorâmico, o passageiro pode verificar se a empresa possui Certificado de Operador Aéreo (COA) e as autorizações necessárias para prestar o serviço.

Também é possível consultar a situação da aeronave por meio da matrícula e verificar se o equipamento está regular para operação.

Os helicópteros destinados a esse tipo de serviço devem apresentar a identificação “voo panorâmico” na fuselagem. Antes da decolagem, os passageiros também devem receber orientações de segurança, incluindo uso do cinto, procedimentos de embarque e desembarque e instruções para situações de emergência.

📲 Confira as últimas notícias do Rlagos Notícias
📲 Acompanhe o Rlagos no Facebook , Instagram , Twitter e Thread

Compartilhe este artigo
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress