Por Leonardo Barros

Acácio, um dos maiores goleiros da história do Vasco, quase trocou o futebol pelo Direito. O campista do Parque Aurora defendeu, entre base e profissional, clubes da cidade como Americano, Goytacaz e Rio Branco, mas as dificuldades do esporte e a morte do pai, seu maior incentivador, o fizeram se afastar no final da década de 1970. Foi aprovado no vestibular, mas um convite para conhecer o Serrano, de Petrópolis, mudou seu destino: deixou de ser advogado para construir uma carreira vitoriosa no Cruzmaltino e na Seleção Brasileira.
“No começo de 1980, Ronaldo Soares Bastos, supervisor de futebol, foi na minha casa me convidar para fazer um teste no Serrano. Eu não queria mais saber de futebol. Quem me convenceu foi meu grande amigo Ricardo Batata. Passei no teste e minha vida mudou”, conta Acácio.
O goleiro é o último jogador nascido em Campos a disputar uma Copa do Mundo, em 1990, na Itália. Foi reserva de Taffarel, mas chegou a ser titular durante amistosos antes do Mundial. Conquistou também a Copa América de 1989, no Maracanã.
A vida em Campos
Acácio começou a vida no futebol pelos campinhos de várzea. A partir dos 12 anos, passou pelas bases do São Cristóvão de Campos, Municipal e Americano. Virou profissional no Rio Branco, aos 17. “Apesar de muito jovem, foi muito importante minha passagem pelo Rio Branco. Fui campeão campista, onde ganhei experiência. Depois, fui emprestado ao Goytacaz, onde não tive oportunidade”.
Em sua cidade natal, após se transferir para o Serrano, não voltou mais a atuar como jogador. Ao encerrar a carreira, já como treinador, comandou o Americano em duas ocasiões: 2011 e 2013. “Sempre que possível, vou a Campos ver minha família”.

Da Serra ao Vasco

Logo na chegada, Acácio percebeu as diferenças no clima de Petrópolis para Campos: frio, chuva e serra. E em seu primeiro ano pelo novo clube, a grande atuação da carreira. Foi no dia 19 de novembro de 1980, em um dia de forte chuva no Estádio Atílio Marotti, quando o Serrano ganhou do poderoso Flamengo por 1 a 0. O jovem goleiro teve uma atuação impecável, parando o super time formado por Zico, Júnior, Leandro e outros craques. Destaque nacional e eliminação do Flamengo no Carioca.
A projeção do goleiro aumentou, sendo disputado por diversos clubes. O Vasco ganhou o reforço em 1982. O jovem de Campos chegou à capital com a missão de brigar pela vaga de titular com o ídolo Mazaropi. Em seu primeiro ano no clube, novamente contra o Flamengo, o início da consagração em São Januário: campeão estadual ao derrotar o Rubro-negro por 1 a 0, com grande atuação de Acácio.

No total, foram quase dez anos de Vasco e muitos títulos, sendo os principais o Brasileiro de 1989 e os Cariocas de 1982, 1987 e 1988. Pelo clube, Acácio tem a quarta melhor marca sem sofrer gols no Campeonato Brasileiro. Foram 915 minutos sem levar gols em 1988.
“Melhor goleiro que tive no Vasco. Nos treinos, o Dinamite não conseguia fazer gol de pênalti nele”, disse Antônio Lopes, um dos maiores técnicos da história do Vasco, em entrevista à Revista Placar.

Na década de 1990, depois do Vasco, Acácio jogou em Portugal por Tirsense e Beira-Mar, encerrando a carreira no Madureira. Como técnico, além do Americano, também trabalhou no Olaria e como auxiliar no Ceará e no próprio Cruzmaltino, onde também foi responsável pela base. Hoje, é comentarista da Vasco TV, participando das transmissões de jogos.
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