Feminicídios aumentam 4% no Brasil e chegam ao maior patamar da série histórica

Redação
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Foto: Rafael Furtado / Em mais de seis em cada dez casos, assassinato ocorreu dentro da residência da vítima

País – Enquanto os indicadores de violência letal apontam uma redução no Brasil, a realidade vivida pelas mulheres continua seguindo um caminho diferente. É o que demonstra o resultado da pesquisa que consta no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que se baseia em informações fornecidas pelas secretarias de segurança pública estaduais, pelas polícias civis, militares e federal, entre outras fontes oficiais da Segurança Pública. O país registrou, em 2025, o maior número de feminicídios desde que o crime passou a ser contabilizado oficialmente, mostrando que a diminuição dos homicídios não tem sido suficiente para conter a violência de gênero.

Ao longo do ano, 1.571 mulheres foram assassinadas apenas por serem mulheres, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. O número escancara um problema que permanece resistente mesmo diante da melhora de outros indicadores da segurança pública: para milhares de brasileiras, o maior risco continua dentro de casa.

As estatísticas mostram que a violência letal contra mulheres raramente acontece de forma isolada. Ela costuma ser o último capítulo de uma sequência de agressões que, muitas vezes, já havia sido registrada pelas autoridades. Somente em 2025, o país contabilizou centenas de milhares de ocorrências de ameaça, violência doméstica, violência psicológica, perseguição e descumprimento de medidas protetivas, além de mais de quatro mil tentativas de feminicídio.

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Ambiente doméstico

O perfil das vítimas pouco mudou. A maioria era formada por mulheres negras, com idade entre 25 e 44 anos. Em mais de seis em cada dez casos, o assassinato ocorreu dentro da residência da vítima, reforçando que o ambiente doméstico continua sendo um dos principais cenários da violência de gênero.

Quando a autoria foi identificada, quase todos os crimes foram praticados por homens. Na maior parte das ocorrências, o agressor era o parceiro ou ex-parceiro da vítima, evidenciando que o feminicídio permanece profundamente ligado às relações afetivas marcadas pelo controle, pela violência e pela incapacidade de aceitar o fim de um relacionamento.

Descumprimento de medidas protetivas

Os números também revelam que a proteção ainda falha em interromper esse ciclo. O país registrou milhares de descumprimentos de medidas protetivas ao longo do ano, além de um volume expressivo de ameaças e agressões físicas contra mulheres. Embora nem todos esses casos evoluam para o feminicídio, eles mostram que os sinais costumam aparecer muito antes do desfecho mais extremo.

Na violência sexual, o cenário também continua preocupante. Apesar da redução no número de registros de estupro e estupro de vulnerável em relação ao ano anterior, a maioria das vítimas segue sendo meninas e adolescentes, reforçando que a violência contra mulheres e crianças permanece como um dos maiores desafios para as políticas públicas de prevenção e proteção.

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Feminicídio em números

  • 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025.
  • O número representa um aumento de 4% em relação a 2024.
  • É o maior registro da série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
  • O país também contabilizou 4.189 tentativas de feminicídio, alta de 5,9%.

Quem são as vítimas

  • 65,1% eram mulheres negras.
  • 56,5% tinham entre 25 e 44 anos.
  • 62,5% foram assassinadas dentro da própria residência.

Quem são os autores

Nos casos com autoria identificada:

  • 96,4% eram homens.
  • 60,9% eram parceiros da vítima.
  • 18,9% eram ex-parceiros.
  • 12,1% eram familiares.
  • Violência antes do feminicídio

Em 2025, o Brasil registrou:

  • 788.531 ameaças (+0,5%);
  • 286.270 lesões corporais em contexto de violência doméstica (+2,6%);
  • 132.025 descumprimentos de medidas protetivas (+16,7%);
  • 60.830 casos de violência psicológica (+16,9%);
  • 21.811 registros de stalking (+5,5%).

Violência sexual

  • 84.388 vítimas de estupro e estupro de vulnerável em 2025.
  • Redução de 5,4% em comparação com 2024.
  • 77% das vítimas eram consideradas vulneráveis.
  • 87,8% eram do sexo feminino.
  • 57,1% eram negras.
  • 60,3% tinham até 13 anos de idade.
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