BRASIL – O Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios desde a tipificação do crime, em 2015, enquanto o total de mortes violentas atingiu o menor patamar desde 2012. Os dados fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
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Segundo o levantamento, foram registrados 1.571 feminicídios no ano passado, um aumento de 4% em relação aos 1.504 casos contabilizados em 2024. Em média, quatro mulheres foram vítimas de feminicídio por dia no país.
Pelo Código Penal, o feminicídio é caracterizado como o assassinato de mulheres motivado por violência doméstica e familiar ou por menosprezo e discriminação à condição de mulher.
Enquanto esse tipo de crime apresentou crescimento, o número de mortes violentas intencionais caiu 8%, passando de 44.126, em 2024, para 40.775, em 2025. É o menor registro desde o início da série histórica do anuário, em 2012.
O levantamento considera como mortes violentas intencionais os casos de homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.
Considerando apenas os homicídios dolosos, o país registrou taxa de 15,4 mortes por 100 mil habitantes, atingindo com dois anos de antecedência a meta prevista pelo Plano Nacional de Segurança Pública para 2027.
Além do aumento dos feminicídios, o anuário também identificou crescimento em outros indicadores de violência contra a mulher. As tentativas de feminicídio aumentaram 6%, os casos de violência psicológica cresceram 17%, os registros de descumprimento de medidas protetivas também subiram 17%, enquanto os casos de stalking tiveram alta de 30%. As ameaças aumentaram 0,5%.
O estudo aponta ainda que, ao longo de 2025, foram registradas três tentativas de feminicídio para cada caso consumado, indicando que a violência contra as mulheres continua crescendo mesmo diante da redução geral da criminalidade letal.
Entre outros destaques do anuário, o Brasil registrou aumento de 5% nas mortes decorrentes de intervenção policial, crescimento de 25% nos casos relacionados à produção e distribuição de conteúdo de abuso sexual infantil, alta superior a 60% nos registros de bullying e cyberbullying entre jovens e expansão de 6% da população prisional, que chegou a 964 mil pessoas.
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