RIO DE JANEIRO (RJ) – O uso de drones por facções criminosas no Rio de Janeiro deixou de servir apenas para monitorar a movimentação de policiais e grupos rivais e passou a ser utilizado também em ataques com explosivos. Diante da escalada da ameaça, a Polícia Civil criou uma unidade especializada para investigar e combater o emprego dessas aeronaves pelo crime organizado.
✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias nacional do Rlagos Notícias no WhatsApp
Um dos casos mais recentes ocorreu em uma comunidade de Curicica, na Zona Oeste da capital, onde uma granada atingiu o telhado de uma residência durante um confronto entre criminosos. Nesta semana, a Polícia Civil confirmou que o explosivo foi lançado por um drone. Meses antes, outro ataque semelhante teve como alvo um veículo blindado da Polícia Militar na mesma região. Apesar da gravidade das ocorrências, ninguém ficou ferido.
Segundo a polícia, os drones continuam sendo utilizados principalmente para monitorar a movimentação das forças de segurança e de facções rivais, mas o lançamento de explosivos representa uma nova etapa na atuação dos grupos criminosos.
“Criminosos do Rio de Janeiro hoje estão usando o drone primordialmente para monitorar tanto a polícia quanto facções rivais. Eles já não abrem mão dessa ferramenta. É como se fosse um sistema integrado às atividades que desempenham para manter o domínio territorial”, afirmou o delegado Marcos Motta, responsável pelas investigações.
As investigações apontam que as organizações criminosas utilizam desde drones de pequeno porte até modelos maiores, semelhantes aos equipamentos agrícolas. De acordo com o delegado, já existem integrantes das facções atuando exclusivamente como operadores dessas aeronaves.
Em resposta ao avanço dessa modalidade criminosa, a Polícia Civil criou, em março, a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas, setor responsável pelo monitoramento, investigação e combate ao uso ilegal de drones por organizações criminosas.
Outra frente de investigação apura a possível profissionalização dessas técnicas fora do país. Segundo a Polícia Civil, há indícios de que integrantes de facções tenham viajado para a Ucrânia para receber treinamento sobre operação de drones. O país europeu tornou-se referência mundial no uso dessa tecnologia durante a guerra contra a Rússia.
Para Roberto Uchôa, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pesquisador da Universidade de Coimbra, a informação é compatível com a evolução observada nas organizações criminosas.
“Houve uma investigação apontando que integrantes do Comando Vermelho teriam ido até a Ucrânia para aprender o desenvolvimento dessa tecnologia e como ela está sendo utilizada no campo de batalha. É uma informação que não me surpreende”, afirmou.
Segundo a Polícia Civil, o uso ostensivo de drones pelo crime organizado passou a chamar a atenção das forças de segurança a partir de 2021. Desde então, os equipamentos se tornaram parte da estratégia das facções para manter o controle de territórios e dificultar operações policiais. Agora, o emprego dessas aeronaves para lançar explosivos é considerado um dos principais desafios enfrentados pelas autoridades.
📲 Confira as últimas notícias do Rlagos Notícias
📲 Acompanhe o Rlagos no Facebook , Instagram , Twitter e Thread
