RIO DE JANEIRO — A sucessão de operações realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro contra integrantes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) provocou um clima de apreensão entre os parlamentares.
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Em apenas oito meses, cinco deputados estaduais, entre atuais e ex-parlamentares, tornaram-se alvos de investigações e medidas policiais.
A preocupação aumentou após a Polícia Federal apreender uma planilha atribuída ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, com os nomes de 61 políticos fluminenses.
O documento também apresentaria registros de movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões.
Os investigadores apuram se os valores estão relacionados a caixa dois eleitoral, financiamento ilegal de campanhas e repasses realizados por integrantes do jogo do bicho.
A existência dos nomes na planilha, por si só, não comprova que todos os políticos citados tenham cometido crimes. A PF ainda trabalha para identificar a origem, o destino e a finalidade dos valores registrados.
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- Investigação deputado Val Ceasa (PRD): Alvo de busca e apreensão pela Polícia Civil e MPRJ em junho de 2026. As investigações apontam indícios de que o parlamentar teria favorecido interesses da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) em sua base eleitoral. Ele também é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro para o tráfico de drogas. Foram encontrados e apreendidos cerca de R$ 316 mil em dinheiro vivo em seus endereços durante busca e apreensão.
Declaração de Gilmar Mendes volta ao centro das discussões
A tensão na Alerj também foi alimentada por uma declaração feita pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante um julgamento realizado em abril de 2026.
Na ocasião, o ministro afirmou que um diretor-geral da Polícia Federal teria relatado que entre 32 e 34 deputados estaduais recebiam uma espécie de “mesada” paga pelo jogo do bicho.
A declaração ocorreu durante a análise das regras relacionadas à sucessão do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Com o avanço das operações e a descoberta da planilha com 61 nomes, a fala do ministro voltou a circular nos bastidores políticos e aumentou o temor de novas medidas contra integrantes da Casa.
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- Investigação deputado Thiago Rangel (Avante): Preso em uma operação da Polícia Federal. Foi alvo de apurações da Polícia Federal sobre desvios milionários e um esquema de corrupção envolvendo obras superfaturadas na área da educação no Noroeste Fluminense e de desviar verbas de gabinete na Alerj, lavando o dinheiro ilegal por meio de uma rede própria com mais de 20 postos de combustíveis. As investigações apontam que o parlamentar negociava a nomeação de cargos públicos com o traficante Junior do Beco, chefe do TCP em Campos, além da foto de uma mala no celular do deputado contendo entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão em espécie.
Cinco deputados viraram alvos
Nos últimos oito meses, cinco deputados ou ex-deputados estaduais foram alcançados por operações conduzidas por órgãos de investigação.
As medidas incluíram o cumprimento de mandados de busca e apreensão e outras diligências autorizadas pela Justiça.
A sequência de ações provocou um ambiente de insegurança dentro do Palácio Tiradentes, sede da Alerj.
Parlamentares avaliam que novas fases das investigações podem ser realizadas conforme a Polícia Federal avance na análise dos documentos, planilhas, aparelhos eletrônicos e movimentações financeiras apreendidas.
Temor de novas operações durante período eleitoral
A apreensão ocorre em um momento considerado sensível para os partidos, que começam a organizar as convenções destinadas à homologação das candidaturas para as eleições de 2026.
Nos bastidores, deputados temem que novos mandados ou prisões sejam realizados justamente durante o período de formação das chapas eleitorais.
Uma eventual operação contra parlamentares pode alterar alianças, candidaturas e estratégias partidárias para as disputas pelo Governo do Rio, pelo Senado, pela Câmara dos Deputados e pela própria Alerj.
O receio é de que o conteúdo da contabilidade atribuída ao grupo de Adilsinho revele novos nomes ou apresente informações capazes de ampliar o alcance das investigações.
Planilha registra nomes e movimentações milionárias
A lista foi apreendida durante a Operação Unha e Carne, que investiga a atuação do grupo comandado por Adilsinho.
O contraventor é apontado pelos investigadores como líder de uma organização envolvida em atividades como jogo do bicho, corrupção, lavagem de dinheiro e financiamento de agentes públicos.
Segundo a investigação, a planilha reúne nomes de políticos, valores, formas de pagamento e outras anotações que estão sendo analisadas pelos agentes.
Os registros teriam levado a Polícia Federal a aprofundar a apuração sobre o possível uso de empresas e gráficas para movimentar recursos destinados a campanhas eleitorais.
Os 61 políticos mencionados no documento não foram necessariamente alvos das operações realizadas até agora.
A investigação busca separar simples anotações, pagamentos legítimos e possíveis repasses ilegais.
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- Investigação ex-deputado e presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União): Alvo da Operação Unha e Carne, teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foi preso pela PF em março de 2026. Ex-presidente da Alerj, foi acusado de vazar informações sigilosas da Operação Zargun — que visava prender o deputado TH Joias que tinha ligações com o tráfico de drogas e o Comando Vermelho — permitindo a destruição de provas. Ele também foi condenado por abuso de poder político e econômico. Sua defesa buscou reverter as decisões judiciais.
Grupo teria usado empresários e empresas
A Polícia Federal suspeita que empresários ligados a Adilsinho tenham colocado empresas, veículos, aeronaves e outros bens à disposição de pessoas influentes.
Essas estruturas teriam sido utilizadas para movimentar dinheiro, ocultar patrimônio e oferecer vantagens a agentes públicos.
Entre os pontos apurados estão contratos públicos, serviços prestados por gráficas, transferências bancárias, entrega de valores em espécie e disponibilização de bens de alto valor.
Os investigadores também analisam se recursos provenientes das atividades do grupo foram direcionados ao financiamento irregular de campanhas.
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- Investigação deputado Rafael Nobre (União) : Denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.Detalhes: Foi alvo de busca e apreensão em julho de 2026. As investigações apontam que ele e seu irmão, o vereador Magrão Nobre, controlavam um grupo de empresas para fraudar contratos de merenda e alimentação hospitalar com as prefeituras de Magé e Japeri. O esquema é estimado em R$ 350 milhões. A defesa do deputado nega as acusações e afirma que provará sua inocência.
Citações não representam condenação
Os parlamentares mencionados em documentos ou alcançados por medidas de investigação têm direito à defesa e ao contraditório.
A inclusão de um nome em uma planilha, agenda ou anotação apreendida não representa, isoladamente, prova de participação em crime.
Caberá à Polícia Federal, ao Ministério Público e à Justiça determinar se os registros possuem relação com pagamentos ilegais e se existem provas suficientes contra cada investigado.
A sucessão de operações, no entanto, colocou a Alerj no centro de uma das principais investigações políticas do estado.
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- Investigação deputado TH Joias (PL): Alvo da Operação Zargun, deflagrada pela Polícia Federal. O deputado foi apontado nas investigações como o principal braço político da facção criminosa Comando Vermelho no estado. As investigações da PF apontam que ele movimentou cerca de R$ 9 milhões em dinheiro vivo para o tráfico, com movimentações financeiras totais que superariam R$ 120 milhões.
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