Itamaraty rebate tarifas dos EUA e diz que medidas de Trump têm motivação política

Redação
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BRASIL – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros não possuem justificativa econômica e classificou as medidas como motivadas por interesses políticos.

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Durante entrevista coletiva no Palácio Itamaraty, em Brasília, o chanceler declarou que o governo brasileiro mantém diálogo com autoridades americanas desde antes do primeiro pacote tarifário, anunciado em abril de 2025, e afirmou que as negociações ocorreram em diferentes níveis diplomáticos.

Segundo Mauro Vieira, foram realizadas mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone entre representantes dos dois países, incluindo encontros entre autoridades técnicas, ministros e chefes de Estado. De acordo com o ministro, somente com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e com o representante de Comércio, Jamieson Greer, ocorreram 11 contatos oficiais.

As declarações foram feitas após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmar a aplicação de um novo pacote de tarifas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Embora parte dos produtos brasileiros tenha sido incluída em uma lista de exceções, as restrições comerciais foram ampliadas para diversos setores.

O chanceler afirmou que o Brasil participou de todo o processo de discussão e voltou a defender que as medidas adotadas pelo governo americano não possuem fundamento econômico.

Durante o pronunciamento, Mauro Vieira também citou a carta enviada pelo presidente Donald Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em julho de 2025. Segundo ele, após esse episódio, os Estados Unidos elevaram para 50% as tarifas aplicadas sobre produtos brasileiros, em uma decisão que classificou como tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil.

O ministro também criticou declarações recentes do secretário de Estado americano, Marco Rubio, e afirmou que o governo brasileiro sempre demonstrou disposição para negociar questões comerciais.

Ainda segundo Vieira, os Estados Unidos defendiam uma abertura mais ampla de setores da economia brasileira aos interesses americanos, proposta que, segundo ele, não foi aceita pelo governo brasileiro.

Em resposta às medidas, o governo federal sustenta que as tarifas são unilaterais e poderão ser contestadas com base na Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a adotar restrições equivalentes diante de barreiras comerciais consideradas injustificadas impostas por outros países.

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