RIO DE JANEIRO — A deputada estadual Lucinha (PSD) poderá ficar sem legenda para disputar a reeleição à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Informações de bastidores apontam que o pré-candidato ao governo estadual Eduardo Paes pretende impedir a candidatura para evitar que as investigações envolvendo a parlamentar sejam associadas à sua campanha. Até o momento, o PSD não anunciou oficialmente a decisão.
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O possível afastamento acontece depois de Lucinha se tornar ré em um processo no qual é acusada de suposto envolvimento com a milícia conhecida como Bonde do Zinho, Tropa do Z ou Família Braga, com atuação em bairros da Zona Oeste do Rio. A abertura da ação penal não representa condenação, e a parlamentar tem direito à defesa.
A investigação começou a partir de apurações realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A denúncia sustenta que a deputada e sua ex-assessora teriam atuado politicamente para favorecer interesses da organização criminosa.
Entre os episódios descritos pelo MPRJ está o suposto repasse de informações sobre agendas de Eduardo Paes na Zona Oeste, o que teria permitido que integrantes do grupo criminoso deixassem as ruas antes da chegada da comitiva. O órgão também menciona uma tentativa de interferência no transporte alternativo municipal, área apontada como fonte de recursos para a milícia. Paes não é acusado de integrar o esquema.
Distanciamento às vésperas da eleição
A possibilidade de Lucinha ser retirada da chapa abre um questionamento político: se as acusações são conhecidas desde as primeiras operações e a denúncia foi apresentada em 2024, por que o afastamento aconteceria somente agora, com a aproximação das eleições?
Para o grupo de Eduardo Paes, manter a deputada na nominata poderia criar desgaste em uma campanha na qual a segurança pública deverá ocupar espaço central. O afastamento permitiria ao pré-candidato reforçar um discurso de combate às organizações criminosas e evitar que imagens de proximidade política com Lucinha sejam exploradas por adversários.
Por outro lado, retirar a legenda da parlamentar não apaga a relação política construída anteriormente. Lucinha continua oficialmente no exercício do mandato e aparece em atividades legislativas como integrante do PSD.
Paes tenta impedir ligação com o caso
A leitura nos bastidores é de que Eduardo Paes busca estabelecer distância entre sua pré-candidatura e o processo que envolve a deputada. O movimento poderia impedir que Lucinha aparecesse durante a campanha como candidata do mesmo partido e integrante do grupo político que tenta chegar ao comando do estado.
A estratégia, porém, também deixa uma pergunta incômoda para os dois lados: Lucinha passou a ser considerada incompatível com o PSD por causa da gravidade das acusações ou somente porque sua candidatura se tornou um risco eleitoral para Paes?

A parlamentar ainda não foi condenada definitivamente no processo envolvendo a milícia. A denúncia foi recebida pela Justiça, e caberá ao tribunal analisar as provas e as manifestações da defesa no decorrer da ação penal.
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