Jornalista em cadeira de rodas conquista astros da Copa e inspira ao mostrar que lugar da deficiência também é no jornalismo esportivo

Redação
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KANSAS CITY (EUA) – Um dos personagens mais marcantes fora das quatro linhas na Copa do Mundo de 2026 é o jornalista venezuelano Manu Gutiérrez. Cadeirante desde o nascimento, o repórter conquistou o respeito de jogadores e colegas de imprensa ao conseguir entrevistas exclusivas com nomes como Lionel Messi, Jude Bellingham, Pedri, Enzo Fernández e Jhon Arias durante o Mundial.

A repercussão começou ainda antes da estreia da Argentina na competição, quando Messi parou para conversar com Manu na porta do hotel da seleção e respondeu perguntas fora do protocolo. Desde então, outros grandes jogadores passaram a reconhecer o jornalista e conceder entrevistas durante as zonas mistas dos estádios.

Aos 30 anos, Manu contou que nasceu com uma paralisia motora que o impede de andar, mas nunca deixou de sonhar em trabalhar com futebol. Sem poder atuar dentro de campo, encontrou no jornalismo a forma de viver o esporte que sempre admirou.

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A trajetória, no entanto, foi marcada por obstáculos. Morando nos Estados Unidos há cerca de dez anos, ele precisou concluir a graduação em Comunicação Social à distância por uma universidade da Venezuela, enfrentando dificuldades como falhas de energia elétrica e problemas para enviar trabalhos acadêmicos.

Depois de formado, também encontrou barreiras para conseguir espaço na imprensa esportiva. Sem oportunidades em grandes veículos, decidiu criar, em 2023, o próprio canal de comunicação, o MVP Sports, que ganhou projeção durante a Copa América de 2024 e, agora, alcança reconhecimento internacional na Copa do Mundo.

Durante toda a cobertura do Mundial, Manu conta com um parceiro especial: o pai, Jesús Gutiérrez, que recebeu credenciamento da Fifa para atuar como cinegrafista, motorista, assistente e principal apoiador do filho.

Segundo o jornalista, permanecer mais de 12 horas por dia na cadeira de rodas entre deslocamentos, partidas e entrevistas exige um enorme esforço físico, mas isso nunca foi motivo para desistir.

“Não é normal, mas isso não significa que não é possível”, afirmou.

Além da repercussão nas redes sociais, Manu espera que sua história ajude a abrir espaço para outros profissionais com deficiência na cobertura esportiva.

“Acho que isso cria um precedente para aqueles que virão depois de nós. A Fifa entendeu que era importante mostrar que há espaço para todos os tipos de jornalistas”, destacou o repórter.

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