Instagram amplia circulação de vídeos pornôs após flexibilizar regras de moderação, aponta reportagem

Redação
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BRASIL – Vídeos com cenas de sexo explícito seguem sendo exibidos e recomendados pelo Instagram, inclusive para contas de adolescentes, meses após a Meta flexibilizar parte das regras de moderação da plataforma. A informação é de uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, que identificou dezenas de publicações pornográficas circulando nos Reels da rede social.

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Segundo a apuração, o acesso ao conteúdo ocorre a partir da própria recomendação do algoritmo. Após visualizar um vídeo de conotação sexual, o usuário passa a receber, em sequência, diversos outros conteúdos pornográficos, alguns deles com milhões de visualizações e acessíveis a perfis de menores de 18 anos.

Em um dos casos citados pela reportagem, um vídeo que mostrava o abuso sexual de uma mulher enquanto dormia permaneceu disponível por cerca de quatro meses e só foi removido após ser comunicado pela Folha à Meta.

As alterações nas políticas de moderação começaram no segundo semestre de 2025. Entre as mudanças, a Meta retirou lábios e boca da lista de partes do corpo consideradas sexualizadas e passou a permitir imagens de caráter sugestivo, desde que as pessoas estejam vestidas.

Outra alteração tornou mais rigorosos os critérios para remoção de determinados conteúdos, exigindo que seja comprovada a intenção de ridicularizar, sexualizar ou expor a identidade da pessoa retratada.

Segundo especialistas ouvidos pela Folha, essas mudanças reduziram as chances de remoção equivocada de conteúdos, mas também aumentaram a permissividade para publicações de teor sexual.

Funcionários da empresa responsável pela moderação do Instagram, ouvidos sob anonimato, afirmaram que a orientação passou a ser reduzir os chamados “falsos positivos”, ou seja, evitar a exclusão de conteúdos que não violassem claramente as regras da plataforma.

A reportagem também identificou vídeos pornográficos produzidos com inteligência artificial. De acordo com o professor Anderson Rocha, da Unicamp, diversas imagens apresentavam características típicas de conteúdo sintético, como sombras incompatíveis, distorções anatômicas e falhas de perspectiva.

Também foram encontrados conteúdos com personagens conhecidos, incluindo princesas da Disney, em cenas sexualizadas criadas por IA.

Especialistas em proteção digital afirmam que a exposição desse tipo de conteúdo a adolescentes pode contrariar as diretrizes do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital).

A coordenadora da área de direitos digitais do Instituto Alana, Maria Mello, afirmou que a Meta falha tanto na remoção do conteúdo quanto na proteção de crianças e adolescentes contra esse tipo de material.

O promotor Yuri Castiglione, do Ministério Público de São Paulo, defendeu que a empresa deve demonstrar capacidade de prevenção, moderação e resposta rápida diante de conteúdos que violem direitos ou sejam inadequados para menores.

Em nota enviada à Folha, a Meta afirmou que as mudanças nas regras têm como objetivo encontrar equilíbrio entre remover conteúdos prejudiciais e evitar a exclusão de publicações consideradas inofensivas.

A empresa também informou que atua em três frentes para impedir que adolescentes tenham acesso a conteúdos inadequados: removendo publicações que violam as políticas da plataforma, ocultando conteúdos sensíveis para menores e restringindo as recomendações feitas pelo algoritmo.

Apesar disso, a reportagem aponta que vídeos de sexo explícito continuam sendo facilmente encontrados e recomendados dentro da plataforma.

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