O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, na manhã desta terça-feira (7), a Operação Hidra de Lerna para investigar suspeitas de irregularidades na concessão de licenças ambientais emitidas pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca). São Pedro da Aldeia está entre os municípios onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão durante a ação.
A operação foi autorizada pela Justiça e resultou no afastamento cautelar do presidente da Ceca. Agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) realizaram diligências contra o dirigente e outros investigados ligados à gestão ambiental do estado. Além de São Pedro da Aldeia, as buscas ocorreram em imóveis localizados na Barra da Tijuca, Lagoa, Laranjeiras, Freguesia, Niterói e Maricá.

De acordo com o MPRJ, a investigação busca apurar a possível emissão de licenças e autorizações ambientais em desacordo com pareceres técnicos, exigências legais e procedimentos administrativos. As autorizações investigadas teriam sido concedidas entre os anos de 2024 e 2025 e podem ter beneficiado empreendimentos classificados como de alto impacto ambiental.
Entre os fatos investigados estão a concessão de licenças de instalação e operação, além de possíveis dispensas irregulares de Estudos de Impacto Ambiental (EIA), documentos exigidos para empreendimentos com potencial de causar impactos significativos ao meio ambiente. O material apreendido durante a operação será analisado e poderá subsidiar o andamento das investigações.
Além do afastamento do presidente da Ceca, a Justiça autorizou a quebra do sigilo de dispositivos eletrônicos dos investigados. O dirigente também está proibido de acessar as dependências do Inea e da Ceca e de manter contato com servidores dos dois órgãos enquanto as medidas cautelares permanecerem em vigor.
As investigações seguem em andamento para apurar a existência de possíveis crimes e identificar a responsabilidade dos envolvidos. Até a publicação desta reportagem, o Inea, a Ceca e os demais investigados não haviam divulgado posicionamento oficial sobre a operação.
