RIO DE JANEIRO — O reencontro entre Brasil e Noruega em uma Copa do Mundo trouxe de volta lembranças de 1998, quando os europeus venceram a Seleção por 2 a 1 na fase de grupos do Mundial da França. Um dos jogadores que esteve em campo naquela partida, o ex-zagueiro Gonçalves relembrou o confronto e avaliou o principal desafio brasileiro neste domingo (5): encontrar uma forma de neutralizar Erling Haaland.
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Na partida de 1998, Bebeto abriu o placar para o Brasil, mas Tore Andre Flo e Kjetil Rekdal garantiram a virada norueguesa. Segundo Gonçalves, a comissão técnica brasileira já conhecia a força daquele adversário, especialmente no jogo aéreo. Um ano antes, a Seleção havia perdido um amistoso para os noruegueses por 4 a 2, em Oslo.
“A preocupação nossa era com o jogo aéreo deles, que era muito forte por serem muito altos”, recordou o ex-defensor. Naquela ocasião, Júnior Baiano tinha a missão de acompanhar Tore Andre Flo, enquanto Gonçalves fazia a cobertura. Apesar da derrota, ele destacou que o resultado não abalou o grupo porque o Brasil já estava classificado para as oitavas de final.
Quase três décadas depois, a principal ameaça da Noruega volta a ser um centroavante de grande porte físico. Para Gonçalves, no entanto, Haaland apresenta dificuldades ainda maiores do que Tore Andre Flo. Além da altura e da força, o atacante do Manchester City possui velocidade para atacar os espaços nas costas da defesa.
“Hoje em dia a Noruega joga para o Haaland. A diferença é que o Haaland, além de ser alto e forte, é rápido, é muito veloz quando arranca”, avaliou. O ex-zagueiro considera que a dupla defensiva brasileira precisará de uma organização específica para evitar lançamentos entre os defensores, uma das jogadas mais perigosas do atacante.
Na visão de Gonçalves, um dos zagueiros deve acompanhar Haaland mais de perto, enquanto o outro precisa manter uma pequena distância para realizar a cobertura. A ideia seria impedir que o norueguês receba passes diagonais em velocidade e ataque o espaço entre os defensores.
“A estratégia é procurar fazer a marcação individual de um dos zagueiros e o outro fazer uma sobra de dois, três metros”, explicou. Ele também alertou para a responsabilidade do meio-campo brasileiro, que deverá pressionar rapidamente o jogador adversário com a bola para reduzir o tempo e o espaço necessários para encontrar Haaland em profundidade.
O ex-defensor ainda avaliou positivamente a atuação de Marquinhos e Gabriel Magalhães na Copa, apesar de apontar dois momentos de desatenção. Um deles ocorreu contra o Japão, quando Gabriel teria recuado demais e permitido uma finalização à distância. O outro foi diante de Marrocos, em uma jogada de infiltração entre os zagueiros.
Mesmo assim, Gonçalves considera que a dupla vem fazendo um bom Mundial e acredita que os erros servem de alerta antes do confronto com a Noruega. Haaland chega às oitavas como uma das grandes estrelas da competição, com cinco gols em três partidas.
O duelo também carrega um tabu para o Brasil. Em quatro confrontos anteriores entre as seleções, foram duas vitórias da Noruega e dois empates. Gonçalves, porém, não acredita que o histórico aumente a pressão sobre o atual grupo. Para ele, o mata-mata será decidido pela capacidade dos grandes jogadores de assumirem responsabilidade nos momentos decisivos.
Brasil e Noruega se enfrentam neste domingo (5), às 17h, no horário de Brasília, em Nova Jersey, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Será apenas o segundo encontro entre as seleções na história dos Mundiais.
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