Empresário de Três Rios é apontado pela PF como elo entre Márcio Poncio e Adilsinho em esquema do cigarro ilegal

Redação
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TRÊS RIOS — Um empresário ligado à cidade de Três Rios, no Centro-Sul Fluminense do Rio, aparece no centro das investigações da Polícia Federal que tentam esclarecer as conexões entre o pastor e empresário Márcio Poncio e o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. Trata-se de Charles Guilherme Costa de Vasconcellos, apontado pela PF como provável elo entre os dois investigados.

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Segundo a apuração, Charles Vasconcellos teria mantido relações empresariais com estruturas ligadas a Márcio Poncio antes de aparecer associado a uma empresa vinculada ao grupo de Adilsinho. Para os investigadores, essa trajetória ajuda a explicar possíveis conexões entre antigos negócios do setor de cigarros e o esquema de distribuição clandestina investigado no Estado do Rio de Janeiro.

A Polícia Federal aponta o empresário como possível “laranja” de Márcio Poncio em investigações relacionadas a fraudes fiscais antigas. Ao mesmo tempo, ele também é citado como operador e integrante da estrutura ligada ao monopólio da venda de cigarros ilegais atribuído ao grupo de Adilsinho. As suspeitas fazem parte de uma investigação mais ampla sobre movimentações financeiras, lavagem de dinheiro e o uso de empresas para dar aparência de legalidade a recursos de origem suspeita.

Charles Vasconcellos foi preso em março de 2025, durante a Operação Libertatis 2. Segundo as investigações, ele foi sócio da Comercial 8, empresa apontada como responsável pela distribuição de tabaco clandestino vinculado ao grupo de Adilsinho. A PF sustenta que a empresa teria emitido notas fiscais fraudulentas para dificultar a fiscalização e recebido grandes depósitos em dinheiro vivo.

A investigação também chama atenção para a relação antiga entre o empresário e Márcio Poncio. Conforme os elementos reunidos no caso, Charles e a mãe teriam ingressado, em 2016, na sociedade da Planalto Indústria e Comércio de Cigarros, empresa ligada ao grupo empresarial do pastor. Os investigadores apontam que os aportes financeiros realizados na época seriam incompatíveis com a renda declarada pelos dois.

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Um ano antes, segundo a apuração, o empresário teria declarado não possuir bens, enquanto a mãe aparecia como pensionista do INSS. Posteriormente, em 2018, Charles Vasconcellos declarou ter herdado imóveis vinculados à Igreja Pentecostal Anabatista de Duque de Caxias, instituição que teria sido liderada por Márcio Poncio.

No ano seguinte, ainda conforme os dados citados na investigação, o empresário transferiu suas cotas societárias para Simone Poncio, esposa do pastor, e para Jonathan Couto, então genro de Márcio Poncio. Para a Polícia Federal, essa sequência de movimentações empresariais é relevante para compreender a possível ligação entre os investigados.

A prisão de Márcio Poncio, realizada nesta quinta-feira (2) durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, ampliou a atenção sobre as relações empresariais e financeiras mantidas ao longo dos últimos anos. O pastor foi preso em um flat na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e é investigado por possíveis ligações com a chamada “Máfia do Cigarro”.

Adilsinho é apontado pelos investigadores como um dos principais nomes da nova cúpula do jogo do bicho e como chefe de uma estrutura ligada ao comércio ilegal de cigarros. A nova fase da operação busca aprofundar suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis ramificações do esquema junto a agentes públicos.

A presença de um empresário ligado a Três Rios no centro dessa investigação chama atenção para os desdobramentos do caso no Centro-Sul Fluminense, já que Charles Guilherme Costa de Vasconcellos é apresentado pela apuração como uma peça importante na possível conexão entre o núcleo empresarial de Márcio Poncio e a estrutura atribuída a Adilsinho.

Até o momento, as acusações fazem parte de investigação em andamento, e os citados têm direito à defesa e ao contraditório.

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