PF encontra nome de Cláudio Castro e de parlamentares em listas atribuídas ao bicheiro Adilsinho

Redação
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RIO DE JANEIRO — O nome do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e de deputados federais e estaduais aparece em listas apreendidas pela Polícia Federal (PF) e atribuídas ao bicheiro Adilsinho, um dos principais alvos da nova fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2).

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Segundo a investigação, os documentos relacionam nomes de agentes políticos a valores financeiros. A principal hipótese analisada pelos investigadores é a de que os registros possam indicar pagamentos irregulares, doações eleitorais não declaradas e movimentações ligadas a um possível esquema de caixa dois, embora a PF ressalte que a apuração sobre a origem e o destino dos recursos ainda esteja em andamento.

A nova etapa da operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a análise de planilhas apreendidas anteriormente com Adilsinho. De acordo com a Polícia Federal, os documentos revelariam uma espécie de contabilidade paralela utilizada para ocultar recursos de origem ilícita e apontariam possíveis repasses diretos a integrantes do Executivo e do Legislativo fluminense.

Além de Adilsinho, que já estava preso e foi alvo de um novo mandado de prisão preventiva, a operação também teve como alvos o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o pastor Márcio Poncio. Bacellar já se encontrava preso quando a ordem judicial foi expedida.

Ao todo, a PF cumpriu três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro e de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões.

Em nota divulgada sobre a operação, a Polícia Federal informou que esta nova fase teve origem na análise do material apreendido com o contraventor.

“As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro”, informou a corporação.

As autoridades também investigam se o grupo utilizava uma estrutura financeira voltada à lavagem de dinheiro para ocultar recursos provenientes da exploração do jogo do bicho e de outras atividades ilícitas.

A Operação Unha e Carne já havia revelado, em fases anteriores, suspeitas de vazamento de informações sigilosas que teriam beneficiado integrantes do Comando Vermelho. Agora, a investigação concentra esforços para identificar possíveis conexões entre a cúpula da contravenção e agentes públicos.

O ex-governador Cláudio Castro já responde a outras investigações conduzidas pela Polícia Federal relacionadas às suas ligações com o empresário Ricardo Magro, do Grupo Refit, e com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Castro nega irregularidades em todos os casos.

Após ser alvo de duas operações da Polícia Federal em um intervalo de 11 dias, em maio deste ano, o ex-governador desistiu da pré-candidatura ao Senado.

Até a publicação desta reportagem, Cláudio Castro não havia se manifestado sobre a citação de seu nome nas listas apreendidas. As defesas de Adilsinho, Rodrigo Bacellar e Márcio Poncio também não haviam apresentado posicionamento. O espaço permanece aberto para manifestações.

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