Mesmo preso, ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar é alvo de novo mandado da PF na Operação Unha e Carne

Redação
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RIO DE JANEIRO Mesmo já preso, o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar voltou a ser alvo da Polícia Federal nesta quinta-feira (2), durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne. A nova etapa teve mandados de prisão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra Bacellar, o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o pastor Marcio Poncio.

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A situação de Bacellar chama atenção porque esta é mais uma ordem de prisão contra o ex-presidente da Alerj, que já estava encarcerado. Segundo as informações da investigação, ele será transferido do Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, para um presídio federal.

A nova fase da operação mira suspeitas de pagamentos ligados ao jogo do bicho e à chamada “Máfia do Cigarro” a agentes públicos. De acordo com a Polícia Federal, o objetivo é aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro atribuída ao núcleo comandado por Adilsinho, apontado como chefe do esquema, e possíveis ramificações junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.

Além dos três mandados de prisão, também foram expedidos 14 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos das buscas está o ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. A decisão também determinou o sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões.

A Operação Unha e Carne já vinha cercando Rodrigo Bacellar desde fases anteriores. Na primeira etapa, em dezembro de 2025, ele foi alvo da investigação por suspeita de vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho. Segundo a PF, dados sensíveis teriam sido repassados e poderiam ter comprometido operações contra a facção.

Na ocasião, Bacellar chegou a ser preso preventivamente por decisão de Alexandre de Moraes, mas foi solto dias depois, após decisão no plenário da Alerj, passando a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

A terceira fase da operação, deflagrada em 27 de março de 2026, marcou uma nova prisão de Rodrigo Bacellar, desta vez em casa, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. A prisão foi determinada após a cassação do mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no caso conhecido como escândalo da Ceperj, e depois de denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Agora, na quinta fase, o ex-presidente da Alerj volta a aparecer no centro da operação, em um novo desdobramento que amplia o alcance das investigações. A apuração passou a mirar também suspeitas de lavagem de dinheiro, repasses a agentes políticos, doações eleitorais e contabilidade ligada à movimentação de recursos ilícitos.

A nova fase deriva de elementos encontrados na Operação Fumus, de 2021, que investigava o monopólio de cigarros no Grande Rio. Na ocasião, a Polícia Federal encontrou planilhas com supostos pagamentos indevidos e registros que chamaram a atenção dos investigadores por indicarem possíveis repasses a políticos do Rio de Janeiro.

A investigação também está inserida no contexto da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, no âmbito do STF, que determinou a atuação da Polícia Federal em apurações sobre grupos criminosos violentos no estado e suas conexões com agentes públicos.

A prisão do pastor Marcio Poncio, realizada em um flat na Praia da Barra da Tijuca, também ganhou destaque na operação. Ele é investigado por possíveis ligações com a “Máfia do Cigarro”. Já Adilsinho, apontado como chefe do esquema, também já estava preso.

Com o novo mandado contra Rodrigo Bacellar, a Polícia Federal aprofunda uma sequência de investigações que envolve política, crime organizado, contravenção, vazamento de informações sigilosas e suspeitas de lavagem de dinheiro. O caso ainda está em andamento, e os investigados terão direito à defesa.

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