BRASÍLIA — A Câmara dos Deputados determinou a retirada da escolta da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) nesta terça-feira (30). A decisão foi tomada pelo Departamento de Polícia Legislativa e teria sido motivada pela participação da parlamentar em agendas realizadas entre maio e junho no Complexo da Maré e em Paciência, na Zona Oeste do Rio.
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Segundo a justificativa apresentada, a escolta da Polícia Legislativa não atua em áreas de comunidades por questões de segurança operacional. O gabinete de Talíria, no entanto, afirma que as visitas faziam parte de compromissos oficiais do mandato, incluindo uma audiência pública aprovada pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da própria Câmara dos Deputados, além de eventos promovidos pelo Governo Federal e pela Fiocruz.
A deputada afirma que continua sendo alvo de ameaças de morte atribuídas a milícias e que há investigações em andamento sobre o caso. Talíria também cita boletins de ocorrência já registrados e proteção reconhecida pelo Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos.
“Agora eu não posso ir à favela encontrar lideranças comunitárias ou participar de uma audiência pública aprovada pela Câmara?”, questionou a parlamentar.
Diante da nova decisão, Talíria Petrone encaminhou uma carta ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), pedindo a revisão da medida. No documento, a deputada classificou a retirada da escolta como “muito grave” e afirmou que a segurança tem sido necessária para viabilizar sua atuação parlamentar no Rio de Janeiro.
Na carta, Talíria relembrou o assassinato de Marielle Franco, destacou que já precisou ficar mais de um ano sem voltar para casa por causa de denúncias envolvendo planos de execução atribuídos à milícia e afirmou que a decisão não deve ser tratada como uma questão partidária.
“Isso não tem relação com partido político, mas com a própria democracia”, afirmou a deputada.
Essa não é a primeira vez que a segurança de Talíria Petrone entra em debate na Câmara dos Deputados. Há menos de um ano, Hugo Motta chegou a determinar a retirada da escolta da parlamentar após críticas feitas por ela à condução do presidente da Casa no plenário, mas recuou dias depois.
Agora, a deputada pede nova intervenção da Presidência da Câmara para reverter a decisão. Ela também alertou que o ano eleitoral pode ampliar os riscos de violência política de gênero e reforçou que o exercício do mandato exige presença em territórios populares, diálogo com lideranças comunitárias e participação em agendas públicas.
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