
O diagnóstico precoce e o acompanhamento oftalmológico regular são considerados fundamentais para evitar a progressão do ceratocone, uma doença que afeta a córnea e pode comprometer significativamente a qualidade visual. O alerta faz parte de uma campanha de conscientização sobre a doença e é reforçado pelo Oftalmo Prime, setor especializado do Beda Prime, coordenado pelo médico oftalmologista Guilherme Araújo.
A iniciativa busca ampliar a informação sobre a doença que muitas vezes começa de forma silenciosa, principalmente durante a infância e adolescência, fases em que o paciente pode não perceber a perda gradual da visão. Segundo o especialista, a falta de acompanhamento pode fazer com que muitos casos sejam identificados apenas quando o ceratocone já apresenta evolução mais avançada.
“O ceratocone é uma doença que acomete a parte anterior do olho, que a gente chama de córnea, que é a primeira camada do olho. A córnea normalmente tende a ser regular, mas, com a evolução da doença, ela vai ficando em formato de cone, como o próprio nome diz”, explica Guilherme Araújo.
De acordo com o oftalmologista, a doença costuma surgir na infância ou no início da adolescência, período em que alguns sinais podem passar despercebidos. “Normalmente, ela começa por volta dos 10, 12 anos de idade e está relacionada a alguns fatores de risco, principalmente ao ato de coçar os olhos”, afirma. O médico destaca a importância de observar crianças que apresentam alergias oculares ou outros problemas que aumentem essa necessidade de coçar a região dos olhos.
“Muitas vezes são crianças que não fazem acompanhamento oftalmológico. A criança não sabe expressar que a visão vem ficando ruim e, quando chega para a gente, normalmente já está com a doença em estágio mais avançado”, ressalta.
Entre os sinais de alerta estão a troca frequente de óculos, dificuldade para enxergar, sensibilidade à luz, visão embaçada e alterações no desempenho escolar. “O ceratocone é uma doença bilateral e assimétrica. Às vezes, um olho está muito bom e a criança acha que não tem nenhuma alteração, porque o olho saudável acaba compensando. Por isso, o acompanhamento periódico é tão importante”, explica.

A evolução da doença varia de acordo com cada paciente, mas costuma ocorrer principalmente durante a adolescência. Em muitos casos, há uma tendência de estabilização por volta dos 28 a 30 anos. Quando diagnosticado precocemente, o ceratocone pode ser controlado com procedimentos que buscam impedir sua progressão. Um dos principais tratamentos é o crosslinking corneano, técnica que fortalece a estrutura da córnea. “Por meio de uma radiação UV associada à riboflavina, conseguimos fazer com que a córnea fique mais rígida e impedir a progressão da doença”, explica.
Recuperar a qualidade visual
Além do controle da doença, outro objetivo do tratamento é recuperar a qualidade visual do paciente. Há tecnologias como lentes gelatinosas, lentes rígidas e lentes esclerais, que entregam qualidade visual e conforto. Quando o paciente não consegue utilizar lentes de contato, seja por dificuldade de adaptação ou por outras condições associadas, existem também opções cirúrgicas. Uma delas é o implante de anel intracorneano, procedimento que busca melhorar a regularidade da córnea. Nos casos mais avançados, pode ser necessário o transplante de córnea.
“Hoje temos técnicas com resultados muito satisfatórios no tratamento do ceratocone, recuperação visual mais rápida e bastante segurança para alcançar a satisfação do paciente”, finaliza o especialista.
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