Acertos, erros e polêmicas: o saldo que Eduardo Paes leva para a disputa pelo Governo do Rio

Redação
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RIO DE JANEIRO — Ao deixar a Prefeitura do Rio para disputar o Governo do Estado, Eduardo Paes (PSD) levou para a corrida estadual uma mistura de capital político, obras no currículo e desgastes acumulados em mais de uma década no comando da capital.

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Entre os principais acertos apontados por aliados está a capacidade de tirar projetos do papel. Paes governou a cidade durante o ciclo da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, período em que o Rio recebeu obras de mobilidade, revitalização urbana e novos equipamentos públicos.

O Porto Maravilha é uma das marcas dessa fase. A revitalização da Região Portuária transformou uma área historicamente degradada e abriu espaço para equipamentos como o Museu do Amanhã, além de projetos mais recentes ligados à inovação e educação.

Outro ponto usado como vitrine é o legado olímpico. Levantamento da FGV calculou impacto econômico de R$ 99 bilhões no município a partir dos projetos ligados aos Jogos Rio 2016, além da geração de milhares de ocupações e efeitos sobre arrecadação, renda e atividade econômica.

Na mobilidade, o histórico é mais dividido. Paes implantou e expandiu corredores de BRT, mas o sistema também virou alvo de críticas por superlotação, falta de manutenção, vandalismo e queda na qualidade do serviço. No terceiro mandato, a prefeitura retomou a gestão do BRT e investiu na recuperação de estações, compra de ônibus e entrega de terminais.

A inauguração do Terminal Intermodal Gentileza, em 2024, entrou na lista de entregas positivas. O espaço conecta BRT Transbrasil, VLT e ônibus municipais, em uma tentativa de reorganizar deslocamentos entre Zona Oeste, Zona Norte, Centro e região portuária.

Entre os erros e episódios mais graves está o desabamento de um trecho da Ciclovia Tim Maia, em abril de 2016, que deixou duas pessoas mortas. Anos depois, Paes afirmou que se arrependia da obra e disse que, se soubesse do resultado, não a teria feito.

No campo jurídico e político, Paes também enfrentou acusações relacionadas a delações e processos. Em 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou decisões do então juiz Marcelo Bretas em processo que envolvia o ex-prefeito e determinou que o caso fosse tratado pela Justiça Eleitoral.

Outro desgaste ocorreu no caso do Plano Estratégico Visão Rio 500, usado na campanha de Pedro Paulo em 2016. Paes chegou a ser declarado inelegível pelo TRE-RJ, mas a decisão foi derrubada pelo TSE em 2021.

Na disputa pelo Governo do Rio, Paes tenta apresentar a experiência administrativa como diferencial. Ele já disputou o governo em 2006 e 2018. Em 2018, chegou ao segundo turno, mas perdeu para Wilson Witzel, que teve 59,87% dos votos válidos contra 40,13% de Paes.

Agora, em 2026, a nova tentativa acontece em um cenário estadual complexo, marcado por crise política, segurança pública como tema central e disputa por alianças. Para Paes, o desafio será convencer eleitores fora da capital de que a experiência no município pode ser aplicada em todo o estado.

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