RIO DE JANEIRO — A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta sexta-feira (26), uma operação para desarticular uma organização criminosa responsável pelo fornecimento de munições e carregadores para traficantes e milicianos que atuam no estado. A ação ocorre em Rio das Pedras, na Zona Oeste da capital, e, até o momento, resultou na prisão de dois investigados, entre eles um homem apontado como traficante internacional de armas e munições.
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As investigações da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) apontam que a quadrilha adquiriu ilegalmente mais de 10 mil munições de fuzil calibre 5,56 mm e de pistola calibre 9 mm, além de carregadores para armamentos, ampliando o poder de fogo de organizações criminosas.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo utilizava documentos falsificados de Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs) para realizar compras ilícitas junto a uma empresa especializada de Santa Catarina e diretamente com uma fabricante de munições.
A operação cumpre mandados de prisão temporária e de busca e apreensão com o objetivo de desarticular o esquema criminoso, interromper o fluxo ilegal de produtos controlados e identificar outros envolvidos na organização.
Durante as diligências, os agentes apreenderam dois fuzis, duas pistolas e duas motocicletas com um dos investigados presos.
A ação conta com o apoio de policiais do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE).
Região vive escalada da violência
A operação acontece em meio ao aumento da violência em Rio das Pedras, onde confrontos entre milicianos e traficantes do Comando Vermelho (CV) têm provocado dias de tensão.
Na madrugada de quinta-feira (25), criminosos chegaram a lançar uma granada por meio de um drone contra uma residência. O explosivo atingiu o telhado do imóvel, causando danos à estrutura, mas ninguém ficou ferido.
Em publicação nas redes sociais, a moradora desabafou.
“Às 3h13 da madrugada jogaram uma granada sobre a minha casa. Graças a Deus, ninguém se feriu. Até quando moradores inocentes vão sofrer com essa violência? Até quando crianças, famílias e moradores inocentes vão correr risco dentro das próprias casas?”, escreveu.
A moradora também negou qualquer envolvimento da família com grupos criminosos.
“Aqui é casa de trabalhador”, afirmou.
Nos últimos dias, a região também registrou intensos tiroteios, apreensões de armamentos de guerra e a localização de um segundo cemitério clandestino utilizado por milicianos para ocultação de corpos.
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