REGIÃO DOS LAGOS — A deflagração da Operação Miragem, da Polícia Federal, que investiga supostas fraudes bilionárias envolvendo o Banco Digimais, trouxe novamente aos holofotes o nome de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e controlador da instituição financeira.
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Embora não haja qualquer relação entre as investigações da Operação Miragem e o esquema da GAS Consultoria, um episódio envolvendo o líder religioso e um dos personagens mais conhecidos da história recente da Região dos Lagos voltou a chamar atenção: a disputa judicial entre a Universal e Glaidson Acácio dos Santos, o chamado “Faraó dos Bitcoins”.
Morador de Cabo Frio e apontado pelo Ministério Público Federal como líder de um dos maiores esquemas de criptomoedas do país, Glaidson foi preso em agosto de 2021 durante uma operação da Polícia Federal que investigou movimentações bilionárias por meio da GAS Consultoria.
Antes de se tornar conhecido no mercado de criptomoedas, Glaidson atuou como pastor da Igreja Universal. Anos depois, já à frente da empresa de investimentos, ele afirmou ter realizado doações milionárias à instituição religiosa.
Em uma ação judicial movida após sua prisão, Glaidson alegou ter repassado cerca de R$ 72 milhões à Universal entre 2020 e 2021. O empresário pediu a devolução dos valores, sustentando que as contribuições teriam sido feitas em um período de forte influência religiosa e em meio ao crescimento de seu patrimônio.
O pedido gerou repercussão nacional e abriu uma disputa judicial entre o empresário e a igreja fundada por Edir Macedo.
Além disso, reportagens publicadas na época apontaram que membros da Universal, familiares de líderes religiosos e pessoas ligadas ao grupo teriam investido recursos na GAS Consultoria antes da operação que desarticulou o esquema financeiro.
Apesar disso, não há qualquer acusação das autoridades apontando participação de Edir Macedo nos negócios de Glaidson ou nas investigações relacionadas ao caso da GAS.
Agora, quase cinco anos após a prisão do Faraó dos Bitcoins, o nome do fundador da Universal volta ao noticiário nacional por outro motivo. Nesta terça-feira (23), a Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem para apurar supostas fraudes contábeis no Banco Digimais.
Segundo os investigadores, o banco teria utilizado fundos de investimento para ocultar prejuízos bilionários e inflar artificialmente seu patrimônio. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 670 milhões em bens de investigados.
Edir Macedo não foi alvo de mandados de busca, mas está entre os investigados que tiveram bens bloqueados por determinação judicial. O caso segue sob apuração da Polícia Federal.
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