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Apeninos da Emilia-Romagna, Itália – Há oitenta anos, soldados brasileiros subiram as montanhas dos Apeninos italianos para conter o avanço nazista naquela região. Hoje, seis ciclistas do Sul Fluminense fazem o caminho inverso — cruzam o Oceano Atlântico para pedalar pelos mesmos picos que a Força Expedicionária Brasileira ajudou a libertar. A história e o esporte se encontram numa das provas de mountain bike mais respeitadas da Europa.
Barra Mansa leva Bruno Panizza, Gustavo Colombiano e Rodrigo Maceió. Volta Redonda envia Lucas Opelt, Rafael Malta e Rafael Henrique de Oliveira. Os seis integram o pelotão de quase 200 ciclistas de 30 países que disputam, a partir desta segunda-feira (22 de junho), a oitava edição da Appenninica MTB Stage Race, nos Apeninos da Emilia-Romagna, no norte da Itália.
A conexão histórica que ninguém esqueceu
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil enviou cerca de 25 mil soldados à Itália para conter a ofensiva alemã na região dos Apeninos. A campanha militar ficou conhecida como a batalha da Linha Gótica — o nome dado ao sistema de defesa nazi-fascista que cortava a península italiana de leste a oeste, exatamente pela cadeia montanhosa onde hoje se pedala. Os pracinhas brasileiros foram determinantes para romper essa linha e libertar as cidades da região.
Oito décadas depois, a memória desse feito ainda é viva entre os moradores locais. Não é por acaso que o pelotão sul-americano — composto por equipes do Brasil, Argentina, Peru e Colômbia — é sempre recebido com hospitalidade especial nos vilarejos dos Apeninos. Para os italianos daquela região, os brasileiros não são apenas turistas ou esportistas. São herdeiros de uma história compartilhada.
Cinco etapas, 40°C e quase 11 mil metros de subida
A prova começa em Lizzano in Belvedere, aos pés do Corno alle Scale — a mesma subida que integrou a nona etapa do Giro d’Italia deste ano. Ao longo de cinco dias, os atletas vão acumular cerca de 298 quilômetros e quase 11 mil metros de ganho de elevação pelas florestas de faias, trilhas técnicas e estradas de cascalho dos Apeninos.
O desafio começa antes mesmo de largar. Depois de uma viagem transatlântica de mais de dez horas, os atletas do Sul Fluminense desembarcaram na Europa para encarar um calor que pode chegar a 40°C nas etapas de planície — temperatura que, combinada com a altitude e o esforço físico das subidas, exige aclimatação e preparo meticuloso.
A etapa mais temida é a de quinta-feira (25), batizada de Rainha da Montanha: 88 quilômetros e 3.000 metros de subida, passando pelo Passo delle Radici e culminando na espetacular Rocha de Bismantova, formação rochosa que Dante Alighieri imortalizou na Divina Comédia. A etapa final, na sexta-feira (26), fecha o percurso com 56,5 quilômetros e mais 1.650 metros de desnível até Castelnovo ne’ Monti.
Competição de alto nível
O pelotão desta edição é o mais internacional da história da prova. Holanda, Bélgica, Espanha e Alemanha lideram a representação europeia. Entre os favoritos está Hans Becking, campeão do Brasil Ride e um dos ciclistas de etapas mais experientes do circuito mundial — referência que os atletas fluminenses terão ao lado nas trilhas.
A Appenninica esgotou suas vagas quatro meses antes do início pela primeira vez em oito edições, o que obrigou os organizadores a expandir o limite de participantes para quase 200 ciclistas. O evento inclui hospedagem, alimentação, suporte médico, lavagem de bicicletas e transporte entre etapas — estrutura que permite aos atletas focarem exclusivamente na prova.
Do Sul Fluminense para os Apeninos
Para Bruno Panizza, Gustavo Colombiano, Rodrigo Maceió, Lucas Opelt, Rafael Malta e Rafael Henrique de Oliveira, a largada desta segunda representa muito mais do que uma competição. É a conclusão de meses de treino nas serras da região, de logística complexa para levar bicicletas para a Europa, de planejamento financeiro para uma viagem intercontinental — tudo sustentado pela paixão pelo esporte e pelo desejo de representar Barra Mansa e Volta Redonda num palco internacional.
Nas montanhas onde os pracinhas brasileiros escreveram uma página de história, seis ciclistas do Sul Fluminense vão escrever a sua
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