CNEN investiga equipamentos militares com raio-X achados em ferro-velho

Redação
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Foto: Redes Sociais
Caso teve início após uma denúncia anônima recebida pela Prefeitura de Anápolis

Goiás – A descoberta de equipamentos militares antigos contendo aparelhos de raio-x em um ferro-velho de Anápolis, na região central de Goiás, mobilizou uma força-tarefa formada por órgãos municipais, estaduais e federais nesta quinta-feira (18). O local foi isolado preventivamente após a suspeita de que os materiais pudessem conter substâncias radioativas capazes de representar risco à saúde pública.

O caso teve início após uma denúncia anônima recebida pela Prefeitura de Anápolis. A informação indicava que equipamentos de origem desconhecida, possivelmente utilizados em atividades militares, estavam armazenados em um ferro-velho da cidade.

No local, foram encontradas quatro caixas contendo equipamentos antigos, datados da década de 1960. Segundo informações preliminares, parte do material possui aparelhos de raio-x incorporados à estrutura, o que imediatamente levantou a preocupação sobre a possível presença de fontes radioativas.

Assim que tomou conhecimento da situação, a prefeitura acionou equipes da Vigilância Sanitária, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Secretaria Municipal de Meio Ambiente. A área foi isolada e os trabalhos de identificação começaram ainda durante a tarde.

Em publicação nas redes sociais, o prefeito Márcio Corrêa informou que todas as medidas preventivas foram adotadas para garantir a segurança da população até a conclusão das análises técnicas.

Segundo ele, a principal preocupação era verificar se os equipamentos continham algum componente capaz de emitir radiação.

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Foto: Redes Sociais

Equipes especializadas foram acionadas

Diante da possibilidade de envolvimento de material radioativo, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) foi acionada para realizar uma avaliação especializada.

Técnicos da comissão chegaram ao local com equipamentos de monitoramento e realizaram medições em toda a área onde os materiais estavam armazenados.

Após os testes, a CNEN informou que não foram detectados níveis de radiação gama nos equipamentos encontrados. O resultado afastou a hipótese de risco imediato para trabalhadores do ferro-velho, moradores da região e equipes que atuavam na ocorrência.

Apesar da ausência de radiação identificada, as autoridades optaram por manter o controle da área até a conclusão dos procedimentos de catalogação e destinação do material.

A suspeita é de que os equipamentos sejam de fabricação norte-americana, embora a origem exata ainda esteja sendo investigada.

Segundo a prefeitura, um especialista adicional também foi acionado para auxiliar na identificação dos aparelhos e orientar o descarte adequado.

A Vigilância Sanitária deverá assumir a responsabilidade pelo recolhimento e destinação final dos equipamentos após a conclusão das análises.

Fantasma do Césio-137 ainda preocupa

A simples possibilidade de materiais radioativos estarem presentes em um ferro-velho foi suficiente para despertar preocupação em todo o estado de Goiás por causa da memória do acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987.

Considerado um dos maiores acidentes radiológicos do mundo fora de instalações nucleares, o episódio aconteceu quando uma cápsula contendo Césio-137 foi retirada de um aparelho de radioterapia abandonado e acabou sendo aberta por catadores de materiais recicláveis.

A substância radioativa chamou atenção pelo brilho azulado emitido durante a noite, levando diversas pessoas a terem contato direto com o material sem conhecer os riscos envolvidos.

Segundo dados oficiais, 129 pessoas foram contaminadas diretamente pela radiação. Quatro morreram nos primeiros dias após a exposição e dezenas de outras desenvolveram sequelas permanentes.

O acidente transformou a forma como materiais radioativos passaram a ser fiscalizados no país e ainda hoje serve de referência para protocolos de emergência em situações semelhantes.

Por isso, qualquer ocorrência envolvendo equipamentos antigos de raio-x, laboratórios médicos ou possíveis fontes radioativas costuma gerar resposta imediata dos órgãos de controle.

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Foto: Memorial MPF
Registro Goiania, 1987

Argentina vive alerta semelhante

A preocupação com materiais radioativos também ganhou destaque internacional nesta semana após um caso registrado na Argentina.

O governo argentino emitiu alerta nacional de emergência depois do desaparecimento de uma cápsula de Césio-137 de um laboratório médico na cidade de Rosário.

O material estava armazenado dentro de um contêiner de chumbo, utilizado justamente para impedir a emissão de radiação para o ambiente externo.

O desaparecimento foi identificado durante uma inspeção técnica realizada por profissionais responsáveis pela manutenção dos equipamentos do laboratório.

De acordo com autoridades argentinas, a cápsula possui atividade de 103 milicuries (mCi), quantidade considerada potencialmente perigosa caso haja contato direto ou rompimento da blindagem.

Especialistas orientaram a população a não manipular qualquer objeto metálico suspeito e acionarem imediatamente as autoridades em caso de localização do material.

As investigações buscam esclarecer se houve furto, falha de segurança ou desvio interno do equipamento.

Enquanto o caso argentino segue cercado de incertezas, em Anápolis as avaliações realizadas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear afastaram a possibilidade de contaminação radiológica. Mesmo assim, os equipamentos permanecerão sob monitoramento até que sejam totalmente identificados e encaminhados para descarte ou armazenamento adequado, conforme orientação dos órgãos competentes.

 

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