FILADÉLFIA (EUA) — Quando a seleção brasileira entrar em campo nesta sexta-feira (19) para enfrentar o Haiti pela segunda rodada da Copa do Mundo de 2026, quatro jogadores da equipe caribenha terão uma ligação especial com o Brasil. Todos passaram pela Academia Pérolas Negras, projeto social criado pela ONG Viva Rio no Haiti há mais de duas décadas.
Os atletas são o goleiro Josué Duverger, o lateral-direito Carlens Arcus, o meio-campista Danley Jean Jacques e o atacante Derick Etienne. Eles fazem parte da geração formada pela iniciativa brasileira que utilizou o futebol como ferramenta de inclusão social, educação e desenvolvimento de jovens em situação de vulnerabilidade.
A história começou em 2004, quando o Brasil assumiu o comando da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), após uma grave crise política no país caribenho. No mesmo período, a ONG Viva Rio iniciou projetos sociais no território haitiano e encontrou no esporte uma importante forma de integração social.
✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias nacional do Rlagos Notícias no WhatsApp
O vínculo entre os dois países ganhou ainda mais força naquele ano, com a realização do histórico “Jogo da Paz”, disputado pela seleção brasileira em Porto Príncipe diante de milhares de haitianos.
Foi nesse contexto que nasceu a Academia Pérolas Negras. O projeto oferecia treinamento esportivo aliado a acompanhamento educacional, nutricional, médico e social, buscando criar oportunidades para adolescentes em meio às dificuldades enfrentadas pelo país.

Com o passar dos anos, a iniciativa expandiu suas atividades e chegou ao Brasil. Em 2016, ganhou uma sede no estado do Rio de Janeiro e passou a disputar competições oficiais, incluindo duas edições da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Atualmente, o Pérolas Negras disputa competições profissionais no futebol carioca e mantém categorias de base filiadas à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.
Entre os jogadores da atual seleção haitiana, o principal destaque é Danley Jean Jacques, de 26 anos. O volante passou pela base do Pérolas Negras no Rio de Janeiro, disputou a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2017 e atualmente atua pelo Philadelphia Union, dos Estados Unidos.
Já Carlens Arcus, de 29 anos, construiu carreira no futebol francês e hoje é um dos jogadores mais experientes da seleção haitiana. Josué Duverger e Derick Etienne também tiveram parte da formação ligada ao projeto antes de alcançarem a seleção principal do Haiti.

A presença dos quatro atletas na Copa do Mundo representa um dos maiores resultados da iniciativa criada por brasileiros. Mais de 20 anos depois do início do projeto, jovens formados pela Academia Pérolas Negras estarão em campo justamente diante da seleção do país que ajudou a transformar suas trajetórias.
📲 Confira as últimas notícias do Rlagos Notícias
📲 Acompanhe o Rlagos no Facebook , Instagram , Twitter e Thread
