O Conselho Regional de Técnicos em Radiologia do Rio de Janeiro (CRTR-RJ) denunciou supostas irregularidades na realização de exames de raio-X na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos. Após uma fiscalização realizada em maio, o órgão informou ter constatado que um equipamento portátil de radiologia estava sendo utilizado em uma sala improvisada durante a reforma da sala de raio-X da unidade. Diante da situação, o Conselho notificou a Vigilância Sanitária estadual e municipal, além do Ministério Público, para que o caso seja investigado.
Segundo o CRTR-RJ, o ambiente utilizado não possuía blindagem radiológica nem atenderia às exigências técnicas previstas para esse tipo de procedimento. Já a Fundação Saúde, responsável pela gestão da unidade, afirma que todos os exames foram realizados dentro das normas de segurança e nega qualquer irregularidade.

De acordo com o Conselho Regional de Técnicos em Radiologia, a denúncia foi formalizada após o recebimento de relatos sobre possíveis riscos relacionados à realização de exames de raio-X em uma sala de curativos adaptada temporariamente para o atendimento dos pacientes. Durante a fiscalização realizada em maio, representantes do órgão verificaram as condições do local e, após consolidar as informações, encaminharam ofícios aos órgãos responsáveis pela fiscalização na última quarta-feira (17).
O presidente do CRTR-RJ, Fabrício de Oliveira, afirmou que a sala utilizada para os exames não possuía blindagem adequada, o que, segundo ele, poderia expor pacientes, profissionais de saúde e demais pessoas que circulavam pela unidade à radiação ionizante. O Conselho também demonstrou preocupação com a presença de gestantes, crianças e adolescentes no local durante o período em que os exames estavam sendo realizados.
Ainda conforme o órgão, a utilização de equipamentos portáteis de raio-X exige o cumprimento de normas específicas de proteção radiológica, incluindo estudos de barreiras, laudos técnicos, autorização para funcionamento e monitoramento da exposição dos trabalhadores. Em ofício encaminhado à direção da UPA, o Conselho solicitou a suspensão imediata de qualquer atividade radiológica realizada fora de ambientes devidamente licenciados, além da apresentação de documentos técnicos e da abertura de procedimento administrativo para apurar eventuais responsabilidades.
Em resposta à denúncia, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a Vigilância Sanitária realizará uma fiscalização na unidade para verificar as informações apresentadas. Segundo a pasta, caso sejam constatadas irregularidades, as medidas administrativas cabíveis serão adotadas conforme determina a legislação vigente.
A Fundação Saúde, responsável pela administração da UPA de São Pedro da Aldeia, negou qualquer irregularidade. Em nota, a instituição informou que, durante a reforma do piso da sala de radiologia, os exames foram realizados com um equipamento móvel de raio-X à beira do leito, procedimento que, segundo a fundação, ocorreu dentro dos protocolos técnicos. A entidade acrescentou que a obra foi concluída e que a sala de raio-X já voltou a operar normalmente.
