RIO DE JANEIRO — O ex-vereador Ulisses Marins está na mira de uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que apura a suspeita de ligação de agentes políticos com integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP).
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Segundo as investigações, Ulisses Marins é suspeito de ter usado um imóvel que funcionava como comitê eleitoral para esconder armas e drogas ligadas a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como uma das principais lideranças do TCP.
A informação chegou aos órgãos públicos por meio de uma denúncia encaminhada ao Disque Denúncia e foi incluída em documento enviado pela Promotoria de Investigação Penal da Penha e de Irajá à delegacia responsável pelo caso.
De acordo com o material encaminhado ao procedimento investigativo, o ex-vereador estaria utilizando o local para armazenar materiais ilícitos do grupo criminoso.
No registro feito na delegacia, consta ainda a suspeita de que Peixão teria financiado a campanha de Ulisses Marins para vereador e que os dois manteriam uma relação próxima.
O registro de ocorrência foi feito em fevereiro deste ano, após requisição de uma promotora do Ministério Público do Rio.
Além dessa suspeita, as investigações também apontam que o deputado estadual Val Ceasa e o ex-vereador Ulisses Marins teriam atuado para interferir em uma operação que tinha como objetivo demolir o chamado “resort de Peixão”.
Segundo o MPRJ, os dois políticos teriam ido ao 16º BPM, em Olaria, no dia 11 de dezembro de 2023, para pedir informações ao comandante do batalhão sobre uma operação policial sigilosa.
Em depoimento, o comandante afirmou que Val Ceasa teria defendido o local, alegando que o espaço era usado para “ações sociais”, e que teria sido informado sobre a ação por integrantes de uma associação de moradores.
Após a ida dos políticos ao batalhão, a Polícia Militar esteve no local e encontrou uma faixa que, segundo as investigações, não existia antes, com a inscrição “Colônia de Férias do Projeto de Deus Kids”.
Para o Ministério Público, as mudanças feitas no espaço teriam sido uma tentativa de disfarçar a real finalidade do local, que, segundo a apuração, seria utilizado por integrantes do TCP.
Ainda de acordo com o MPRJ, nunca foi constatada qualquer ação social na região apontada nas investigações.
A operação para destruir o chamado “resort de Peixão” vinha sendo discutida em reuniões reservadas entre a Polícia Militar, a Prefeitura do Rio e o Ministério Público estadual desde 29 de novembro de 2023.
A ação estava marcada para 14 de dezembro de 2023, mas acabou sendo cancelada após a interferência dos parlamentares, já que os investigadores entenderam que a operação havia sido vazada.
A investigação busca agora esclarecer o grau de envolvimento dos agentes políticos citados, a origem das informações sobre a operação sigilosa e a possível relação entre estruturas eleitorais e integrantes do crime organizado.
O caso aumenta a pressão sobre os alvos da operação e reforça a preocupação das autoridades com a infiltração de grupos criminosos em áreas políticas e comunitárias do Rio de Janeiro.
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