Tino Marcos: As histórias de oito Copas do Mundo que vi

Redação
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Foto: Arquivo Pessoal

Rio de Janeiro – Poucos jornalistas acompanharam tão de perto a história recente da Seleção Brasileira quanto Tino Marcos. Com mais de 35 anos de carreira na TV Globo, ele se tornou um dos maiores nomes da reportagem esportiva brasileira, cobrindo oito Copas do Mundo, seis Jogos Olímpicos e alguns dos momentos mais marcantes do esporte nacional.

Presente em todos os Mundiais entre 1990 e 2018, Tino testemunhou de perto a conquista do tetracampeonato nos Estados Unidos, em 1994, a campanha do penta na Coreia do Sul e no Japão, em 2002, além de momentos históricos como a célebre declaração de Mario Jorge Lobo Zagallo após a conquista da Copa América de 1997: “Vocês vão ter que me engolir”.

Em entrevista exclusiva ao Diário do Vale, o jornalista relembrou histórias dos bastidores das Copas, falou sobre o atual momento da Seleção Brasileira e apontou os favoritos ao título mundial de 2026.

DV – Você cobriu oito Copas do Mundo. O que muda na cobertura de um Mundial em relação a qualquer outro grande evento esportivo?

TM – Quando a gente fala em Copa do Mundo, trabalhando para o público brasileiro, você tem uma relevância máxima. É realmente diferente até da Olimpíada. A Olimpíada envolve muito o brasileiro, mas não com a mesma intensidade que a Seleção Brasileira e a Copa do Mundo. Por acontecer a cada quatro anos, ela gera uma expectativa muito grande.

DV – Ao longo dessas oito Copas, qual foi o bastidor mais marcante que você presenciou e que o público talvez nunca tenha conhecido completamente?

TM – Uma cena que me marcou muito foi no dia da final da Copa de 1994. Depois da conquista do título, todo mundo voltou para o hotel da seleção e eu encontrei o Parreira no elevador. Perguntei se ele não iria para a festa. Ele respondeu: “Não, hoje eu só subo”. Nunca esqueci isso. Foi uma frase muito simples, mas que dizia tudo sobre o jeito dele. Depois de toda aquela pressão, ele simplesmente se recolheu.

DV – Todo grande repórter tem suas fontes. Qual é o segredo para conquistar a confiança das pessoas?

TM – Acho que é o comportamento do profissional ao longo da carreira. É isso que constrói ou não uma reputação. A credibilidade é construída com o tempo. As fontes confiam mais ou menos em um jornalista de acordo com a forma como ele trabalha.

Tino atuando pela Globo na Copa do Mundo de 1994 (EUA) – Foto: Arquivo Pessoal

DV – Qual foi o maior furo jornalístico da sua carreira em Copas?

TM – Para mim foi o dia 17 de julho de 1994. Eu consegui entrar no gramado da final quando repórteres não podiam entrar. Entrei praticamente disfarçado de auxiliar de câmera, com o equipamento desmontado. Montei tudo atrás do gol e consegui entrevistar os jogadores brasileiros durante a volta olímpica, logo após a conquista do tetracampeonato. Foi um momento muito simbólico.

DV – Você foi o repórter que ouviu de Zagallo a histórica frase “Vocês vão ter que me engolir”. Como foi aquele momento?

TM – Quando me aproximei dele, percebi que estava muito emocionado. Antes mesmo de ligar o microfone, perguntei se ele queria falar. Ele respondeu: “Vou falar”. Naquele instante eu já senti que vinha alguma coisa muito característica dele. Quando ele soltou a frase, eu sabia que era algo muito forte. O que eu não imaginava era que ela atravessaria décadas e continuaria sendo lembrada até hoje.

DV – Quem você vê como favorito nesta Copa?

TM – A França está mostrando muito potencial. A Argentina segue forte com Messi. A Noruega do Haaland também vem chamando atenção. Vi jogos muito bons até aqui. Holanda e Japão, para mim, fizeram a melhor partida da competição até agora. Ainda não existe um favorito destacado.

DV – Como você avalia o momento atual da Seleção Brasileira?

TM – O Brasil fez uma estreia muito abaixo do esperado. Agora o mais importante é que a equipe consiga jogar bem e transmitir segurança. Os primeiros 30 minutos contra o Marrocos foram muito ruins. Acho que foi a pior estreia que vi da Seleção em Copas do Mundo. Nem em 1974, quando empatou com a Iugoslávia, vi um começo tão preocupante.

DV – Qual foi a Copa mais especial da sua carreira?

TM – Sem dúvida, a de 1994. O Brasil vinha de 24 anos sem conquistar um título mundial. Existia um peso enorme sobre a Seleção. Aquele título trouxe alívio para o futebol brasileiro e marcou toda uma geração. Para mim, foi a Copa mais importante.

DV – Como está vivendo esta Copa do Mundo?

TM – Estou trabalhando em um projeto com o Porta dos Fundos, no programa “Aquele Campeonato”. Tem sido uma experiência muito interessante porque mistura informação com humor. Estou aprendendo bastante e me divertindo muito com essa nova fase.

DV – Que conselho daria aos jovens jornalistas que sonham em cobrir uma Copa do Mundo?

TM – É preciso arregaçar as mangas e buscar os caminhos. Na minha época, os caminhos eram mais tradicionais. Hoje existem muitas plataformas e oportunidades para produzir conteúdo. O importante é planejar, investir e colocar o sonho em prática. Cobrir uma Copa do Mundo é uma experiência extraordinária.

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