Especialistas explicam como funciona o controle de helicópteros após colisão que matou seis pessoas no Rio

Redação
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RIO DE JANEIRO — A colisão entre dois helicópteros que deixou seis mortos no último domingo (15), no Recreio dos Bandeirantes, levantou dúvidas sobre o funcionamento do controle de tráfego dessas aeronaves e sobre como um acidente desse tipo pode ocorrer.

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Especialistas ouvidos durante as investigações afirmam que colisões entre helicópteros em pleno voo são consideradas extremamente raras e exigem uma combinação de fatores para acontecer.

Segundo o professor de engenharia aeronáutica da Universidade de São Paulo (USP), João Paulo Eguea, um dos principais pontos que deverão ser analisados é se uma das aeronaves saiu da rota prevista ou se ambas acabaram ocupando o mesmo corredor aéreo.

A avaliação é semelhante à do diretor da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG), Raul Marinho, que afirma que a investigação precisa identificar se houve invasão de trajetória por uma das aeronaves.

Ao contrário dos aviões comerciais, a maioria dos helicópteros opera em regime visual, modalidade em que o piloto utiliza principalmente a observação direta do ambiente para navegar e evitar outras aeronaves.

“É a mesma coisa que um carro. Você vê o carro na rodovia, diminui a velocidade, desvia. Se for virar, vê se tem alguém do seu lado. Só que no ar, além da dimensão de um lado e para o outro, tem para cima e para baixo”, explicou Marinho.

Apesar da comparação, especialistas ressaltam que o sistema segue regras rígidas de segurança. Em áreas urbanas movimentadas, existem rotas pré-definidas, altitudes específicas e pontos obrigatórios de comunicação por rádio.

Quando um helicóptero passa por determinados pontos do trajeto, o piloto deve informar sua posição para que outras aeronaves na mesma frequência tenham conhecimento do tráfego existente na região.

Segundo os especialistas, isso cria o que é chamado de consciência situacional, permitindo que os pilotos acompanhem os movimentos de outras aeronaves próximas.

A investigação também deverá analisar registros de comunicação, planos de voo e dados eletrônicos emitidos pelos helicópteros para determinar o que aconteceu nos momentos que antecederam a colisão.

Outro ponto que poderá ser avaliado é a presença de sistemas eletrônicos de alerta de colisão. Diferentemente de grandes aeronaves comerciais, helicópteros de pequeno porte não são obrigados a possuir equipamentos capazes de alertar automaticamente os pilotos sobre riscos de aproximação.

As circunstâncias do acidente seguem sendo apuradas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

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