POR HELENA VASCONCELOS · ESPECIAL PARA O DIÁRIO DO VALE · VOLTA REDONDA

Há um número que resume o ano de 2025 em Volta Redonda: cinco. Foram cinco meses consecutivos sem um único registro de roubo de veículo em uma cidade com frota estimada em 160 mil automóveis. O dado, do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), não é um detalhe estatístico: é o retrato de uma cidade que vive o melhor momento de sua história recente em segurança pública.
Os indicadores confirmam a tendência. Volta Redonda encerrou 2025 com os menores índices de roubo e furto dos
últimos 22 anos. O roubo de rua, que beirou as 418 ocorrências em 2018, fechou o ano em apenas 55 casos. Latrocínio — o roubo seguido de morte — e roubo de carga ficaram zerados durante todo o ano. Segundo o ISP, o município se consolidou como uma das cidades mais seguras de todo o estado do Rio de Janeiro.
A conquista, porém, vem acompanhada de um alerta que os profissionais do setor fazem questão de repetir: tranquilidade não é o mesmo que invulnerabilidade. Enquanto Volta Redonda celebra recordes, o estado do Rio segue sendo o pior do Brasil em crimes contra veículos — são 605,3 ocorrências de roubo e furto para cada 100 mil veículos, mais que o dobro da média nacional, de 278. No mesmo estado, o furto de celular cresceu 41% em outubro de 2025 na comparação com o ano anterior, e as mortes violentas subiram 37% no período.

“A polícia cuida da rua. Do seu portão para dentro, a responsabilidade é sua.”
GIL DUQUE · DIRETOR DA VEGAS VIGILÂNCIA E SEGURANÇA
A pressão do tráfico de drogas no Sul Fluminense é parte da equação. Não por acaso, a própria Prefeitura de Volta Redonda anunciou a criação de um Batalhão de Ações com Cães (BAC) com o objetivo declarado de combater o crime organizado e o tráfico em toda a região. A dependência química — sobretudo das drogas mais baratas e de maior poder de compulsão — é historicamente associada por autoridades de segurança ao aumento dos crimes contra o patrimônio: pequenos furtos, arrombamentos e a busca rápida por bens de fácil revenda. É o chamado crime de oportunidade, que prospera onde encontra portas abertas.
“Esses números bons são, em parte, o resultado de quem se protegeu. Se todo mundo relaxar, eles voltam a subir.”
JULIANO DELZI · DIRETOR DA VEGAS VIGILÂNCIA E SEGURANÇA
E, se os indicadores melhoraram, não foi por acaso. Boa parte da virada se explica por investimento em tecnologia e integração. A Prefeitura tem ampliado o número de câmeras de monitoramento na cidade e, num movimento que diz muito sobre o futuro da segurança, passou a incorporar equipamentos particulares ao sistema público. É nesse ponto que segurança pública e segurança privada deixam de ser mundos separados e passam a operar como camadas de uma mesma estratégia de proteção.

Para entender o que esse novo cenário significa, na prática, para o morador comum e para o comerciante da região, o Diário do Vale conversou com Juliano Delzi e Gil Duque, diretores da Vegas Vigilância e Segurança, empresa do Sul Fluminense especializada em alarmes monitorados, CFTV e monitoramento eletrônico. A leitura dos dois é direta: o bom momento da cidade é uma oportunidade — e também um teste de maturidade.

DIÁRIO DO VALE — O ISP aponta Volta Redonda como uma das cidades mais seguras do estado, com recordes históricos. Para uma empresa de segurança, isso não é uma má notícia?
JULIANO DELZI — Pelo contrário. Esses números são a melhor propaganda do nosso setor. Eles não caíram do céu: caíram porque a cidade investiu em inteligência, em integração e, principalmente, em tecnologia. Câmera, monitoramento e resposta rápida mudam a equação do crime. O criminoso é racional — ele escolhe o alvo de menor risco e maior retorno. Quando uma cidade inteira eleva o custo de agir, o crime recua ou migra. O que as pessoas precisam entender é que esse resultado é a fotografia de um momento, não uma garantia permanente. Segurança é manutenção, não um troféu que você guarda na estante.
DIÁRIO DO VALE — Se a cidade está segura, por que o morador ou o comerciante ainda deveria investir em um alarme monitorado ou em câmeras?
GIL DUQUE — Porque existe uma confusão perigosa entre segurança pública e segurança privada. A polícia cuida da rua, do coletivo, do fluxo da cidade. Mas do seu portão para dentro, a responsabilidade é sua. O número bom é uma média — e média não protege ninguém individualmente. Quem teve a casa arrombada não se consola sabendo que a estatística do bairro melhorou. Nosso trabalho começa exatamente onde a estatística termina: no seu patrimônio, na sua família, no seu negócio. E há um detalhe técnico que poucos percebem: boa parte da queda dos índices se deve justamente à adesão da população a sistemas de monitoramento. Ou seja, quem está protegido é parte da razão de o número ser bom. Se todo mundo relaxar ao mesmo tempo, o número volta a subir.
DIÁRIO DO VALE — Como o tráfico e o consumo de drogas entram nessa conta?
JULIANO DELZI — Entram pela borda. A própria Prefeitura criou um batalhão específico para combater o tráfico no Sul Fluminense — isso não é à toa. A dependência química, em especial das drogas mais baratas e compulsivas, está historicamente ligada ao furto, ao arrombamento, à busca por bens de revenda rápida. É o crime de oportunidade, e ele tem uma característica: testa portas. Procura a casa sem câmera, o comércio sem alarme, o carro na rua sem rastreamento. Tecnologia de segurança não resolve o problema social da droga — isso é papel do Estado. Mas ela tira a sua casa da lista de oportunidades. Faz o risco do criminoso subir e o seu cair.
DIÁRIO DO VALE — Na prática, qual a diferença entre um alarme monitorado e um alarme comum comprado em loja?
GIL DUQUE — É a diferença entre barulho e resposta. Um alarme de loja dispara uma sirene e torce para que alguém ligue para alguém. Um sistema monitorado profissional opera com uma central 24 horas, que recebe o sinal em tempo real, verifica a ocorrência — muitas vezes por imagem, com o CFTV integrado — e aciona um protocolo: contato com o cliente, despacho de equipe, comunicação com as autoridades quando necessário. Trabalhamos com redundância de comunicação, para o sistema não cair se a internet ou a energia falhar; com particionamento de ambientes; com sensores específicos para cada tipo de risco; e com histórico de eventos auditável. Não vendemos um aparelho. Vendemos um processo que funciona às três da manhã, quando ninguém está olhando.
DIÁRIO DO VALE — Qual o maior erro que as pessoas cometem em relação à própria segurança?
JULIANO DELZI — Achar que “comigo não acontece” ou que “meu bairro é tranquilo”. E, ironicamente, um período de boas estatísticas amplifica esse erro — gera uma falsa sensação de blindagem. Segurança não é um gadget que você compra e esquece. É um sistema e, mais do que isso, um hábito: revisar, manter, integrar. As pessoas trancam a porta por automatismo, mas não pensam na proteção do patrimônio com o mesmo cuidado. Nosso papel é tornar essa proteção simples, acessível e contínua — um serviço que trabalha todos os dias, inclusive nos dias em que a cidade parece tranquila demais.
DIÁRIO DO VALE — Qual a mensagem para o leitor de Volta Redonda?
GIL DUQUE — Que a segurança que a cidade conquistou é um patrimônio coletivo — e patrimônio coletivo se protege com responsabilidade individual. Comemore os números, mas não confunda tranquilidade com invulnerabilidade. Faça a sua parte. Hoje, tecnologia de ponta deixou de ser luxo: é um serviço mensal acessível, que cabe no orçamento de uma família e de qualquer comércio. A pergunta não é se você pode pagar por segurança. É quanto custa não ter.
O recado dos especialistas dialoga com o que os próprios dados sugerem. A queda da criminalidade em Volta Redonda é real e merece ser celebrada — mas é também o produto de uma cidade que decidiu se proteger, do poder público ao cidadão. Manter esse patamar, num estado que lidera o país em crimes contra veículos e numa região sob pressão constante do tráfico, dependerá de uma equação simples: vigilância que não relaxa.

Informe comercial produzido por Vegas Vigilância e Segurança. As estatísticas aqui citadas têm como fontes o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) e a Prefeitura Municipal de Volta Redonda. Entrevista de caráter comercial; as opiniões dos entrevistados refletem a visão da empresa anunciante.





