Vai tirar dos Pobres! Pré candidato a deputado estadual João Pires, pupilo de Eduardo Paes, lança vaquinha virtual e vira alvo de críticas por pedir dinheiro ao povo para fazer campanha

Redação
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RIO DE JANEIRO — O pré-candidato a deputado estadual João Pires, do PSD, ligado ao grupo político de Eduardo Paes, passou a ser alvo de críticas após lançar uma vaquinha virtual para arrecadar dinheiro da população e financiar sua campanha.

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A iniciativa foi apresentada como uma campanha “feita pelo povo”, mas abriu um debate incômodo nos bastidores políticos do Rio: como alguém ligado a uma estrutura forte de poder, com passagem por cargos de destaque na Prefeitura do Rio, pede dinheiro justamente ao cidadão que já enfrenta dificuldade para sobreviver?

João Pires ficou conhecido como o homem que fiscalizava postos de gasolina no Rio de Janeiro. Agora, críticos ironizam a trajetória do pré-candidato e afirmam que ele “fiscalizava postos, mas não fiscalizava o próprio projeto político” antes de recorrer ao bolso do eleitor para tentar bancar sua campanha.

O ponto jurídico é claro: a vaquinha eleitoral é permitida pela Justiça Eleitoral, desde que siga as regras de financiamento coletivo, seja feita por plataformas autorizadas, receba doações de pessoas físicas identificadas e seja devidamente declarada na prestação de contas. A discussão, portanto, não está apenas na legalidade, mas no peso moral e político do gesto.

Nos bastidores, adversários afirmam que João Pires tenta tirar de quem já tem pouco para sustentar um projeto eleitoral próprio. A crítica é que o pobre, que já sofre para pagar mercado, aluguel, transporte, luz e remédio, agora ainda é chamado a colocar dinheiro na campanha de um pré-candidato ligado ao grupo de Eduardo Paes.

A situação ganha ainda mais força porque João Pires não é tratado como um nome isolado. Ele é visto como pupilo político de Eduardo Paes, uma das principais lideranças do PSD no Rio, e já ocupou espaço relevante na máquina pública municipal. Em reportagem de 2023, foi citado com salário bruto de R$ 24 mil mensais em cargo na Prefeitura do Rio, valor superior ao rendimento da maioria esmagadora da população trabalhadora.

Por isso, a pergunta que se espalha entre críticos é direta: quem ganha salário alto e tem padrinho político forte precisa mesmo pedir dinheiro ao povo para fazer campanha? Para adversários, a vaquinha transforma necessidade popular em combustível eleitoral e joga sobre o eleitor comum um custo que deveria ser assumido por quem decidiu disputar mandato.

A crítica também expõe uma contradição de discurso. João Pires tenta se apresentar como candidato popular, mas, ao pedir doações, acaba sendo acusado de transferir para a população a conta de um projeto político que pode servir mais à manutenção de poder do que às urgências reais do povo.

Nos bastidores, a leitura é de que o pré-candidato quer vestir a campanha com aparência de movimento popular, mas a vaquinha virou munição para seus críticos. Para eles, João Pires tenta tirar dos pobres para fazer campanha, enquanto segue amparado por um grupo político poderoso e por uma trajetória construída dentro da estrutura da Prefeitura do Rio.

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