RIO DE JANEIRO — A Cedae realizou investimentos milionários no Banco Digimais, instituição ligada ao bispo Edir Macedo, durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro. As aplicações foram feitas por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e somaram dezenas de milhões de reais.
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Segundo informações divulgadas pelo portal ICL Notícias, os aportes foram autorizados por Antonio Carlos dos Santos, então diretor Financeiro e de Relações com Investidores da estatal, que anteriormente atuou como assessor-chefe do gabinete de Cláudio Castro no Palácio Guanabara.
A primeira aplicação ocorreu em junho de 2025, quando a Cedae destinou R$ 35 milhões ao Banco Digimais. Pouco tempo depois, uma nova operação acrescentou mais R$ 25 milhões em investimentos na instituição financeira.
De acordo com a reportagem, as aplicações foram mantidas mesmo diante de avaliações de risco consideradas desfavoráveis por agências de classificação de crédito.
Em março de 2026, a agência Fitch Ratings rebaixou a nota do banco para a categoria BB-, considerada especulativa pelo mercado financeiro. Já em maio, a Moody’s reduziu a classificação para CCC+, nível associado a elevado risco de inadimplência.
Documentos internos citados pela reportagem apontam que integrantes do Comitê de Auditoria da Cedae demonstraram preocupação com a situação financeira da instituição e discutiram a possibilidade de transferir os recursos para bancos com classificações de risco mais elevadas.
Apesar disso, pareceres técnicos da Diretoria Financeira defenderam a manutenção dos investimentos, alegando a existência de mecanismos de proteção, como a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para parte dos valores aplicados.
Em nota, a Cedae informou que uma das primeiras medidas da atual administração foi revisar a política de aplicações financeiras da companhia para reforçar mecanismos de governança e controle de riscos. A estatal afirmou ainda que os investimentos no Digimais não serão renovados e que os recursos serão direcionados para instituições consideradas mais sólidas.
Antonio Carlos dos Santos declarou que todas as aplicações seguiram as normas internas da companhia e foram aprovadas pelas instâncias competentes, incluindo Conselho de Administração, Comitê de Auditoria e Diretoria Executiva. Ele também negou qualquer interferência política nas decisões de investimento.
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