Da direita para a esquerda: Glauco Kaizer o traidor troca aliados que o elegeram por grupo de Lula, Paes e Cavaliere

Redação
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RIO DE JANEIRO — A política é talvez o único lugar onde a gratidão costuma ter prazo de validade. Durante as campanhas, aliados são tratados como irmãos. Nos discursos, todos falam em lealdade, compromisso e caminhada conjunta. Mas, para muitos, basta a vitória chegar para que antigas promessas sejam deixadas pelo caminho.

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O caso envolvendo o prefeito Glauco Kaizer voltou a levantar essa discussão. Eleito após construir uma aliança que contou com o apoio de lideranças como Cláudio Castro, Flávio Bolsonaro, Uruan e Portinho, o prefeito agora aparece politicamente próximo de nomes ligados ao campo oposto, entre eles Lula, Eduardo Cavaliere e Eduardo Paes.

Para observadores da política, a situação simboliza um dos comportamentos mais antigos do poder: a troca de aliados conforme os ventos mudam. Quem ontem era fundamental para a conquista da vitória passa a ocupar um papel secundário, enquanto novos parceiros ganham espaço e protagonismo.

A verdade é que ninguém vence uma eleição sozinho. Toda campanha é construída por um conjunto de apoios, articulações e lideranças que assumem riscos para defender um projeto político. Quando esse projeto muda de direção logo após a vitória, é inevitável que surjam questionamentos sobre coerência e fidelidade.

Na política, entretanto, a palavra traição raramente é utilizada pelos protagonistas. Normalmente ela é substituída por expressões mais elegantes, como “ampliação de diálogo”, “construção de pontes” ou “maturidade política”. Para quem ficou pelo caminho, porém, o sentimento costuma ser outro.

A história brasileira está repleta de episódios semelhantes. Governos mudam, alianças são refeitas e antigos adversários se tornam companheiros de caminhada. O que era apresentado como convicção durante a campanha muitas vezes se transforma em conveniência depois da posse.

Talvez seja por isso que o eleitor tenha se tornado cada vez mais desconfiado. Afinal, ele acompanha quem estava no palanque durante a disputa e quem passa a frequentar os eventos oficiais após a vitória. A memória popular costuma registrar esses movimentos com mais precisão do que muitos imaginam.

No fim, a política continua ensinando uma lição dura: o poder atrai, aproxima e afasta pessoas com a mesma velocidade. E, muitas vezes, aqueles que ajudaram a empurrar o carro morro acima acabam assistindo de longe quando o motorista decide mudar de estrada.

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