“Brasil não adotará mais a política de vira-lata”, diz Lula sobre taxa dos EUA

Redação
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Foto: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

País – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quarta-feira (3), a possibilidade de uma nova taxação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e afirmou que o Brasil buscará manter o diálogo diplomático sem abrir mão da soberania nacional. A declaração foi feita durante a segunda reunião ministerial de 2026.

Segundo Lula, o país não deve aceitar tratamento considerado desigual nas relações internacionais.

“Esse país não adotará mais a política de vira-lata diante das grandes potências”, afirmou o presidente ao comentar o cenário comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Durante o discurso, Lula também declarou que o governo brasileiro tem atuado em defesa do multilateralismo e da democracia e criticou a forma como, segundo ele, os Estados Unidos têm conduzido a relação com o Brasil nos últimos dias.

“Nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil esta semana”, disse.

Governo reage à recomendação dos Estados Unidos

O posicionamento do presidente ocorre após a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Em nota divulgada nesta terça-feira (2), o governo brasileiro contestou a medida e apresentou argumentos contrários à recomendação. Segundo o Executivo, a decisão desconsidera aspectos da relação comercial entre os dois países.

Também na terça-feira, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, concederam entrevista coletiva para comentar o tema e apresentar a posição do governo.

Lula diz que Brasil busca negociação

Segundo Lula, desde a adoção das primeiras tarifas pelos Estados Unidos, em julho de 2025, o governo brasileiro vem tentando negociar alternativas diplomáticas para reverter as medidas.

“Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos”, afirmou o presidente.

De acordo com Lula, o governo optou pelo diálogo e pela apresentação de argumentos técnicos para contestar a taxação.

Presidente cita conversa com Donald Trump

Lula afirmou ainda que, durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, no início de maio, foi acertado um prazo de 30 dias para negociações entre representantes dos dois países sobre as tarifas comerciais.

Segundo o presidente brasileiro, as conversas ainda estavam em andamento quando houve uma nova comunicação sobre taxação de produtos brasileiros.

“Fui pego de surpresa ontem, com a decisão deles”, declarou Lula.

Presidente confirma participação em reunião do G7

Durante a reunião ministerial, Lula também informou que participará do encontro de líderes do G7, previsto para ocorrer na França, no próximo dia 15.

Segundo o presidente, a decisão foi tomada diante do atual cenário internacional e da necessidade de fortalecer organismos multilaterais.

O G7 é formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

 

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